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Steven Isserlis se apresenta no Brasil

Autor de dois livros para crianças, o violoncelista inglês faz recital na Sala São Paulo

JOÃO LUIZ SAMPAIO - O Estado de S.Paulo,

19 de setembro de 2012 | 03h08

Quando não está sobre os principais palcos do mundo, o violoncelista britânico Steven Isserlis se diverte escrevendo. Já lançou, por exemplo, dois livros infantojuvenis, consequência natural de outro de seus prazeres: fazer apresentações para crianças. "É sempre uma experiência nova", ele conta. "Porque não se trata só de tocar, de escolher um repertório adequado, mas, sim, de conversar com as crianças e ouvir o que elas têm a nos dizer."

Isserlis está no Brasil, onde hoje faz concerto na Sala São Paulo pela temporada da TUCCA, associação que cuida de crianças e adolescentes com câncer. Acompanhado da pianista Connie Shih, vai interpretar as Doze Variações sobre Ein Mädchen Oder Weibchen, de Beethoven, a Sonata para Violoncelo nº1, de Saint-Säens, e a Sonata para Violoncelo, de Benjamin Britten.

Isserlis nasceu em 1958, em Londres, cidade na qual seu avô, também músico, instalou-se após fugir da Rússia nos anos 20. Sua mãe era pianista, seu pai, músico amador. Aos 14 anos, começou a estudar na Escócia com a professora Jane Cowan, cujo método ia além da técnica e Isserlis define como "holístico".

Antes de tocar Beethoven, por exemplo, os alunos a ouviam ler Goethe - da mesma forma que obras de Debussy ou Fauré só ganhavam corpo com a compreensão do idioma francês, em sessões de leituras de autores como Racine.

Recém-chegado à Europa, o brasileiro Antonio Meneses se lembra do contato com Isserlis, "uma figura meio maluco beleza", em cursos de verão oferecidos pelo mestre Antonio Janigro no Mozarteum de Salzburgo, onde sua técnica e musicalidade chamavam a atenção de professores e colegas.

"Você nunca esquece uma apresentação dele", escreveu, certa vez, o crítico Tom Service, do jornal inglês Guardian. "No palco, ele desenvolve uma relação física, sensual, com o violoncelo, de tal forma que em alguns momentos você se sente bisbilhotando uma relação íntima demais para ser exibida assim em público", continuou.

Sobre o programa que ele interpreta em São Paulo, Isserlis diz ter tentado escolher "peças populares que fossem também obras-primas". "Há algo de muito charmoso nas Variações de Beethoven", explica. "E o Britten é, para mim, um clássico indiscutível do século 20. Tem duas qualidades: é música incrível, que tem momentos mágicos, que atingem diretamente as plateias. Isso para não falar na maneira como ele combina as principais qualidades do piano e do violoncelo".

Sobre a sonata de Saint-Säens, compositor de quem se confessa "fã incondicional", diz que se trata de uma peça "escura, dramática, clássica na forma, mas completamente romântica na essência".

Essas peças servem de amostra de uma carreira que, no que diz respeito ao repertório, o faz viajar entre séculos, dos barrocos à música feita hoje - passando inclusive por obras jamais escritas: em 2010, ele lançou um projeto no qual encomendava obras a partir de esboços incompletos ou fragmentos deixados por autores como Haydn, Brahms ou Debussy.

"A questão é, para um violoncelista, talvez mais do que para outros músicos, a especialização é algo a se evitar. O repertório para o instrumento é pequeno e se você opta por se dedicar a apenas parte dele, então limita demais suas possibilidades artísticas", explica.

Seu disco mais recente, Lieux Retrouvés, que será lançado em outubro pelo selo Hyperion, é prova desse amor tanto pelo passado quanto pela música nova, algo que, diz ele, remonta às aulas com Jane Cowan. No álbum, estão lado a lado peças de Liszt, Janácek, Kurtag e Thomas Adès.

"Gravar peças novas é muito bom", ele garante, com a ressalva de que a maneira como se aproxima de uma obra é sempre a mesma. "No fundo, seu trabalho é olhar a partitura até você entender que pode contar uma história com aquela música. Ser músico é, de certa forma, como ser um ator."

STEVEN ISSERLIS

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/nº, Campos Elísios, tel. 3223-3966.

Hoje, às 21 h. De R$ 70 a R$ 150.

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