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Steve Hackett e o legado do Genesis chegam em março

Guitarrista fala ao 'Estado' de sua atual turnê, das parcerias com Ritchie e da irritação que lhe causa o rap

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2014 | 03h43

Primeiro ex-integrante do grupo de rock progressivo britânico Genesis a excursionar com o legado de sua antiga banda, o guitarrista Steve Hackett, de 64 anos, chega com a Genesis Expanded Tour no dia 8 de março (quando se apresenta no Citibank Hall do Rio). Toca em São Paulo no dia 10 de março, no Citibank Hall.

O Genesis, que teve ainda Phil Collins, Peter Gabriel, Tony Banks (teclados), Mike Rutherford (baixo), reinou entre 1971 e 1977. Vendeu 130 milhões de discos. Em 1997, Rutherford e Banks tentaram reformar a banda, mas sem grande repercussão. O núcleo principal reuniu-se em 2010 para aceitar a indução ao Rock and Roll Hall of Fame - mas não vão tocar juntos nunca mais porque Phil Collins diz que já não consegue mais tocar bateria. Hackett então resolveu revisitar o repertório com uma banda que selecionou a dedo: Nad Sylvan (vocais), Roger King (teclados), Lee Pomeroy (baixo), Gary O'Toole (bateria, percussão e vocais) e Rob Townsend (sax, flauta e percussão).

"Eu participei de 8 álbuns do Genesis nos anos 1970. Tenho orgulho do som que conseguimos fazer. Tivemos uma grande banda, uma das melhores bandas do rock naquela década. E só estivemos no Brasil uma vez, em 1977. Tocamos no Rio, em São Paulo e acho que em Porto Alegre. Então, eu estava ansioso por voltar a tocar aí. É um show com 2h30 de duração, acho que os fãs estavam esperando há muito tempo para ouvir as músicas que fizemos naquela época", disse Hackett ao Estado, falando por telefone de Londres esta semana.

"Estive em São Paulo pela última vez há 10 anos, mas já tem um tempo isso. Achava também que estava na hora de voltar", afirmou o guitarrista. O Genesis alcançou fama internacional após John Lennon demonstrar interesse pelo grupo, em 1973, revelou Hackett. "Eu deixei o grupo em 1977 para fazer outras coisas sozinho. Há dois anos, montei esse show e já rodamos o mundo todo e tem sido extraordinário, nós temos uma grande banda. É algo que eu sempre quis fazer. Não há ninguém se dedicando ao repertório do Genesis nesse momento, não ao repertório dos primeiros anos, o repertório clássico do grupo", analisou.

Que tipo de memórias você tem daquela turnê de 1977 com o Genesis no Brasil?

Para dizer a verdade a você, eu fiz mais amigos no Brasil já fora do Genesis. Um dos grandes músicos que eu conheci aí foi Ney Matogrosso, tremendo cantor. Também trabalhei com Ritchie, o músico britânico radicado no Brasil. Eu já era amigo dele e fizemos alguns hits juntos, como Menina Veneno e Meantime. Eu me diverti muito naquela época. E também colaborei com o grupo Roupa Nova, com o Serginho (Serginho Herval, baterista). E muitos outros que conheci ao longo dos anos. Encontrei também Chico Buarque.

Menina Veneno se tornou um enorme sucesso aqui, um dos maiores no Brasil em todos os tempos.

Foi ótimo para o Ritchie, para a carreira dele. Era o seu primeiro álbum, e ele é um bom amigo meu. A cena musical naquela época era mais difícil, e eu fiquei muito feliz que tenha explodido e que eu tenha podido colaborar com ele.

Você é mais conhecido como um guitarrista de rock progressivo, mas é muito familiar para a música pop em geral. É muito bem relacionado com músicos da área pop. Qual é o tipo de gênero no qual você se sente mais à vontade?

Eu acho que minha abordagem, ao longo dos anos, tem sido a de tocar a maior variedade de gêneros possível. É essa a beleza da música progressiva. Trabalhei com pop, com rock e com música clássica, muitos estilos diferentes. É o que o Genesis já fazia. Quando fomos fazer uma excursão pelos Estados Unidos, em 1973, ouvimos John Lennon na rádio WNEW elogiando nosso disco Selling England by The Pound. Não tínhamos sucesso, éramos uma jovem banda tentando a sorte. Aquilo teve um impacto imenso na nossa carreira. Eu aprendi a tocar guitarra imitando I Feel Fine nas cordas, e ouvir aquele que era o homem da canção em pessoa nos elogiando, aquilo foi um empurrão enorme. Creio que, mesmo que nunca tivéssemos atingido o sucesso, aquele reconhecimento de Lennon já teria sido suficiente para mim.

Como é sua relação com Peter Gabriel e Phil Collins hoje em dia?

Muito boa. Nós fizemos um álbum juntos, uma compilação das canções do Genesis denominada R-Kive, que foi lançada em setembro. E há também três faixas de cada um de nós individualmente, e que está indo muito bem nas paradas. Não é nada novo, mas foi um trabalho em conjunto, e foi muito legal de fazer. Também há um documentário que lançamos recentemente, Genesis: Together and Apart.

Ouvi que você odeia hip-hop, é verdade?

Não é meu tipo de música favorito. Em minha opinião, é repetitivo e denigre a imagem da mulher, em geral. Acho que as feministas têm se posicionado mais firmemente sobre os abusos cometidos no rap. Em minha opinião, acho que a música deveria ser uma proposição construtiva. Eu acredito nas formas construtivas de revolução.

E seus músicos? Poderia falar um pouco sobre cada um deles?

Roger King é um grande tecladista e renomado compositor, e também foi engenheiro de som no álbum que eu acabei de trabalhar. Às vezes trabalhamos juntos, já tem mais de uma década de colaboração. Gary O'Toole, o baterista, tocou com Chrissie Hynde e outros, como Kylie Minogue. Nad Sylvain é a voz da banda, um vocalista de abordagem bastante teatral e que jamais imita Phil Collins ou Peter Gabriel. E no baixo nós temos Lee Pomeroy, que integrou o Take That e acompanhou Rick Wakeman. Trabalhamos em Los Angeles juntos recentemente.

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