Stela Freitas leva memórias ao palco

Há 30 anos Stela Freitas leva opúblico às gargalhadas. Em Chega de Sobremesa, que estréiaamanhã no Teatro Folha, em São Paulo, a atriz surpreende e mexecom a emoção da platéia. Em cena, memórias e o relato de umavida. A peça, dirigida por André Paes Leme, agita a segundatemporada da mostra Grandes Baratos."Quando iniciamos este projeto, comecei a procuraralguns textos, mas nada nos agradou, até decidirmos que eucontaria uma história verdadeira", diz Stela. A atriz eescritora vasculhou sua história para elaborar um texto queapresenta, na prática, a vida de todas as pessoas. Lembranças dainfância e da adolescência ambientadas na São Paulo dos anos 70."Os fatos são narrados como eu os interpretei quando criança.Não faço uma leitura atual. Trabalhamos com várias facetas damemória, como o passado e o momento em que escrevi, sem, noentanto, entrar no lado psicanalítico."Como o humor está intimamente ligado à carreira de Stela, algumas cenas chamam a atenção. A autora lembra da sua paixãopelo jazz quando tinha 6 anos. "Eu queria ser uma cantora, comvoz rouca, gorda e negra. Tinha certeza absoluta que essamudança poderia acontecer." Ou, ainda, quando comeu muito docede banana para alterar a cor dos olhos. "Em uma fase da minhavida, queria ter olhos verdes, fui parar no hospital e hoje nãoposso olhar para bananas."A peça traz, ainda, relatos envolvendo o período marcadopela ditadura militar. "Participei sem saber exatamente o queestava acontecendo. Você só reconhece a dimensão de seus atosdepois de alguns anos. Quantas coisas aconteceram até hoje, comoas Diretas Já, o governo Collor e agora o Lula na Presidência. Apeça trata disso, das mudanças e da evolução que elas provocam.Fala sobre a vida."Um dos pontos que levaram a atriz a escrever Chega deSobremesa foi a observação da falta de comunicação naatualidade. "Observamos que as pessoas estão cada vez maisisoladas e as relações humanas mais distantes. As máquinasganham espaço, as pessoas falam de amor via computador, um amorsem toque, frio." Na opinião da autora, a tecnologia épertinente a este século, mas sem o aspecto humano não há vida."As pessoas estão interessadas em assistir aos programas dereality show, querem conhecer a vida de alguém, buscam trocas,que são sugeridas na peça." Quanto ao título, bem, esse é ummistério que só pode ser revelado em cena.Chega de Sobremesa. Texto e interpretaçãoStela Freitas. Direção André Paes Leme. Duração: 60 minutos.Quarta e quinta, às 21 horas. R$ 10. Teatro Folha. AvenidaHigienópolis, 618, Piso 2 do Shopping Pátio Higienópolis, em SãoPaulo, tel. (11) 3823-2323. Até 13/2.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.