William E. Sauro/The New York Times
William E. Sauro/The New York Times

Stan Lee, o super-herói da Marvel

Com ele, a editora transformou o mundo dos quadrinhos ao imbuir seus personagens com dúvidas sobre si mesmos e neuroses de gente comum

Jonathan Kandell e Andy Webster, The New York Times

13 Novembro 2018 | 11h49

Se Stan Lee revolucionou o mundo dos quadrinhos nos anos 1960, o que ele fez, ele deixou uma marca tão grande — talvez maior — na paisagem ainda mais ampla da cultura pop de hoje.

Pense em Homem-Aranha, a franquia de filmes blockbusters e espetáculo na Broadway. Pense em Homem de Ferro, outra mina de ouro em Hollywood, personificada pela sua estrela, Robert Downey Jr. Pense em Pantera Negra, o super-herói arrasa bilheteria que quebrou barreiras raciais na tela.

E isso é não dizer nada sobre o Hulk, os X-Men, Thor e outras forças da TV e do cinema que mexeram na imaginação popular e fizeram muitas pessoas muito ricas.

Se todo esse entretenimento pode ser traçado para uma pessoa, seria Stan Lee, que morreu na segunda-feira, 12, aos 95 anos. De um escritório empacotado na Madison Avenue em Manhattan nos anos 1960, ele ajudou a conjurar uma seleção de heróis de ficção popular que acabaram por definir muito da cultura pop do começo do século 21.

Lee foi uma peça central na criação daqueles personagens e mais, todos propriedade da Marvel Comics. De fato, ele foi para muitos a encarnação da Marvel, se não dos quadrinhos em geral, supervisionando o crescimento da empresa, hoje um monstro internacional gigantesco. Escritor, editor, publisher, executivo de Hollywood e promotor incansável (da Marvel e de si mesmo), ele teve papel crítico no que os fãs de quadrinhos denominam como era de prata do gênero.

Muitos acreditam que a Marvel, sob a liderança dele e infundida pela sua voz colorida, cristalizou essa era, de vendas explosivas, personagens e histórias cada vez mais complexos e uma crescente legitimação cultural do meio.

Sob Lee, a Marvel transformou o mundo dos quadrinhos ao imbuir seus personagens com dúvidas sobre si mesmos e neuroses de gente comum, bem como uma consciência de tendências, causas sociais e, muitas vezes, senso de humor.

Ao humanizar seus heróis, dando a eles falhas de caráter e inseguranças que enganavam suas forças sobrenaturais, Lee tentou “fazê-los personagens de carne e osso com personalidades”, como disse ao The Washington Post em 1992.

“Isso é o que qualquer história deve ter, mas quadrinhos não tinham até aquele ponto”, ele disse. “Eles eram todos figuras de papelão.”

Energético, gregário, otimista e alternadamente grandioso e discreto, Lee foi um vendedor efetivo, utilizando uma sintaxe de P.T. Barnum no papel (“Face front, true believer!” “Make mine Marvel!”) para oferecer os produtos da Marvel para uma audiência radical.

Apesar de Lee ser frequentemente criticado por negar direitos e royalties para seus colaboradores artísticos, seu envolvimento na concepção de muitos dos personagens mais conhecidos da Marvel é incontestável. / Tradução de Guilherme Sobota

Mais conteúdo sobre:
Stan LeecinemaquadrinhosMarvel

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.