Stan Lee na Disney é a solução depois de Piratas do Caribe

Longe de ter uma grande produtividade, seu nome é mais lembrado em honra ao seu passado na Marvel Comics do que concretamente em qualquer projeto recente

Agencia Estado

14 Junho 2007 | 18h00

Depois da divulgação do contrato de exclusividade entre a Disney e a Pow!Entertainment, de Stan Lee, é de se perguntar: por que agora? Lee, já há um bom tempo, está longe de ter uma grande produtividade, ao menos, no que ela seja indicada em sucessos. Seu nome é mais lembrado em honra ao seu passado na Marvel Comics do que concretamente em qualquer projeto recente. Talvez, o contrato com a Disney seja a chance do criador relembrar seus bons dias como criador do Homem-Aranha e dos X-Men. Stan Lee, ao lado do falecido Jack Kirby, é, sem sombra de dúvida, o homem por trás de uma reinvenção dos quadrinhos e dos super-heróis no início da década de 60. Antes dele, o termo "herói" designava um modelo de perfeição que ia da raiz do cabelo até o último fio de sua capa. Com a criação do Quarteto Fantástico, em 1961, e uma miríade de personagens depois deles, Stan Lee substituiu a pomposa filantropia heróica (então já mitificada em torno de Superman e Batman) por uma sensibilidade real dos heróis em relação à humanidade. A partir dali, acima de tudo, os heróis eram também humanos. Tinham medo, raiva, fracassavam e sofriam como qualquer um. Disney: beco sem saída Enquanto a DC Comics, grande rival da Marvel, corria atrás do prejuízo na década de 70 e 80, a editora fundada por Lee e Kirby consolidava sua força reinventando cada personagem de forma periódica (existem aqueles que indicam o grande mérito da Marvel em assassinar seus personagens, colocá-los em meio a tragédias traumáticas que redimensionam a índole dos heróis). A Disney, embora também primasse pela habilidade em dotar feras, animais e outros objetos inanimados com traços humanos, amargou algumas duras derrotas, especialmente nos últimos anos. A animação convencional, carro-chefe da produtora durante décadas, foi gradualmente substituída pela animação digital, algo que a DreamWorks e a Pixar (ex-parceira da própria Disney) se tornaram hegemônicas. Restou à Disney recorrer a soluções extremas, como buscar inspiração em seus parques temáticos. O mais espantoso é a idéia ter dado certo, galinha dos ovos de ouro mais recente dos estúdios, a franquia Piratas do Caribe. Uma vez encerrada a trilogia cinematográfica, a Disney agora parece chegar novamente num beco sem saída. Como gostaria o próprio Walt Disney, notabilíssimo conservador, a solução parece vir daquilo que existe de mais tradicional na cultura pop americana. No caso, unir Stan Lee, o homem que há décadas atrás, plantou a semente de quase todo sucesso dos filmes de super-heróis, à estética bastante peculiar da possivelmente desesperada Disney Studios.

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