Nicole Nodland/Divulgação
Nicole Nodland/Divulgação

Stacey Kent faz show em São Paulo

Cantora apresenta clássicos e inéditos de Marcos Valle hoje no Bourbon Street Music Club

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h10

O jazz americano e a bossa nova têm um histórico de grandes encontros. Basta lembrar dois dos mais célebres - João Gilberto com Stan Getz e Tom Jobim com Frank Sinatra - para constatar que quando se trata de unir grandes talentos, a receita dá certo. Desta vez, quem junta forças são a cantora Stacey Kent - uma das mais expressivas e delicadas do jazz contemporâneo - e Marcos Valle, que tem boa parte de seu cancioneiro ligada à bossa nova da segunda fase. Os dois se apresentam hoje no Bourbon Street Music Club interpretando exclusivamente o repertório de Valle - entre clássicos e novidades. Depois fazem dois shows no Rio.

Stacey é aficionada da música brasileira. Já gravou Águas de Março (Tom Jobim) em francês e vem aprendendo português para melhor compreender as letras das canções. "Sem português, como a gente poderia compreender as letras da música de Chico Buarque e Edu Lobo, O Grande Circo Místico, por exemplo? Ou as lindíssimas canções de Marcos Valle, como Passa Por Mim, etc?", diz a cantora. "Tenho sorte. Esta semana vou cantar novas canções, que Marcos me apresentou mais ou menos pelo nosso projeto juntos. Ele queria me ouvir cantando um pouco em francês neste show, então fez La Petit Valse, com letra do poeta Bernie Beaupere, que já escreveu algumas letras para meu disco Raconte-Moi", conta Stacey. "Bernie e Marcos estão adorando essa nova colaboração entre eles."

Além do saxofonista Jim Tomlinson (marido e parceiro da cantora) e Valle (piano acústico), a banda que os acompanha é formada por Jesse Sadoc (trumpete e flugelhorn), Marcelo Martins (sax e flauta), Aldivas Ayres (trombone), Renato Massa (bateria), Alberto Continentino (baixo acústico), Luiz Brasil (violão).

Valle diz que seu primeiro contato com Stacey foi como fã, ouvindo um CD dela no carro ao lado de sua mulher, Patrícia. "Mal sabia eu que ela ouvia meus discos e minhas músicas e era também minha fã. Stacey tem uma voz linda, ao mesmo tempo suave e repleta de emoção, que resulta em um estilo próprio, novo e elegante", observa. "A musicalidade que a une a Jim Tomlinson, saxofonista talentoso (com ótimas influências de Stan Getz), reforça o estilo dela. Stacey é cuidadosa, detalhista, e procura extrair o máximo que pode das músicas que interpreta."

A paixão "pela música em geral e pela cultura brasileira em especial", que ela tem, fizeram-no ter "uma grande identificação com ela". Stacey não deixa por menos: "Marcos é um artista que conheço desde muitos anos. Adoro sua sensibilidade. Quando nos encontramos, tivemos uma química imediatamente. Compartilhamos uma sensibilidade, um amor pela música brasileira e o jazz. Temos muitas coisas em comum. E, sim, tem desde sempre esta ligação entre o jazz e a bossa nova, uma ligação de harmonia. Ouvimos as cordas na mesma maneira, mas isso é só uma parte por exemplo."

No ano passado, os dois cantaram juntos Samba de Verão no show de comemoração dos 80 anos do Cristo Redentor. Agora, a convite da Miranda, nova casa de shows no Rio, pensou imediatamente em Stacey como cantora convidada. Do "repertório delicioso" dele nesse show, ela destaca Drift Away, Passa por Mim, If You Went Away, Look Who's Mine, The Answer, The Nightingale e Batucada. "Drift Away é uma metáfora pela vida, na maneira brasileira. Como eles podem aceitar a vida com facilidade. Uma sensibilidade que amo. Adoro cantar essa melodia e essas letras tão delicadas na minha boca", diz.

Sobre um possível álbum juntos, ela ainda não pode afirmar, mas vontade não falta. "Vamos ver. Queria muito continuar ao lado de Marcos e Jim e o grupo do Marcos no futuro, claro. É simplesmente um prazer e uma honra estar aqui com ele. Adoro suas canções, umas tão rítmicas, outras tão delicadas. Temos uma boa mistura da música."

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