Stacey Kent e seu affair francês

Stacey Kent e seu affair francês

Celebrada entre novas cantoras do jazz, ela lança Raconte-moi, coleção de canções francesas de ontem e hoje, e fala ao Estado

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

Nina Simone ficou tão fissurada na chanson francesa que decidiu viver na França para assimilá-la melhor. Sarah Vaughan não foi tão longe, mas gravou com Michel Legrand. "Madeleine Peyroux não vale, ela é praticamente francesa", brinca Stacey Kent, antecipando com agilidade novo exemplo de cantoras americanas de jazz que aceitaram o desafio de mergulhar no cancioneiro francês. Stacey, norte-americana de New Jersey, acaba de lançar Raconte-moi (Blue Note), álbum em que reinterpreta canções de gerações distintas da música francesa, de Henri Salvador, Barbara e Georges Moustaki a Benjamin Biolay e Keren-Ann.

Stacey, que conseguiu a proeza de vender mais de 300 mil cópias de um disco de jazz em 2007, Breakfast on the Morning Tram, é neta de russo que emigrou para a França. O avô, Samuel, ensinou-lhe a língua, a obrigou a memorizar poemas de Baudelaire e lhe disse: "Você só entende um idioma quando compreende a sua poesia. Se não sabe a poesia que há na palavra, não entendeu o suficiente", conta a cantora, falando com exclusividade ao Estado semana passada.

Dona de invejável contrato com a Blue Note, mais destacado catálogo do jazz mundial, Stacey já tinha gravado três canções em francês no CD anterior (uma delas, Samba Saravah, versão francesa de Samba da Bênção, de Baden e Vinicius), mas não se julgava apta ainda. "Era muito cedo", explica. Mas, embora o francês tenha sequestrado a atenção de Stacey, seu coração é brasuca. Ela é quem garante. Raconte-moi abre com Águas de Março, de Tom Jobim, na versão francesa de George Moustaki. Stacey diz que seu sonho é cantar em português. Está estudando arduamente e já fala com desenvoltura. Na semana passada, lia Memórias Póstumas de Brás Cubas em português. E avisa: no final deste ano, quer voltar a cantar no País.

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