SPTV cobiça mais dinamismo

OBRAS César Tralli dá um tempo à reportagem para assumir posto de âncora da 1ª edição

THAÍS PINHEIRO, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h08

Acostumado a estar nas ruas, onde a notícia acontece, César Tralli se permite uma mudança na carreira ao dar nova cara ao SPTV 1.ª Edição. Dada a saída de Chico Pinheiro e Mariana Godoy, a bancada, que vez ou outra tinha sua presença, passa a ser dele em tempo integral, a partir de amanhã, ao meio-dia.

"Isso muda radicalmente minha vida profissional. Sou repórter há 25 anos, e agora vou ter que ajudar a tocar o jornal, participar da concepção dele, das pautas, das produções, do estilo de fazer o jornal, do formato ao conteúdo", observa.

Sob novos moldes e apoiado em uma receita já consagrada, o SPTV 1.ª Edição promete se mostrar mais contemporâneo. Dinamismo é a palavra de ordem. O apresentador vai se dividir entre a bancada, a poltrona para receber comentaristas e os telões móveis. O teleprompter também fica de fora, na medida do possível, bem ao modo Tiago Leifert no Globo Esporte.

"Isso vai exigir que eu tenha muito contato com os assuntos do jornal", diz. "Então estou tentando me disciplinar para dormir antes da meia-noite - coisa que nunca consegui - e levantar às 5h30, 6 horas. Gostaria de vir para a redação bem cedo todos os dias para ver o Bom Dia SP daqui, ler os jornais e mergulhar nos assuntos da cidade e do dia para quando eu subir ao estúdio estar muito seguro de tudo o que vai ser falado ali, entendeu?"

Com o objetivo de reforçar suas características mais marcantes, o SPTV vai contar com a participação de um time de comentaristas para tornar o jornal ainda mais didático e com foco na prestação de serviços. O advogado Marcio Rachkorsky, que já tem aparecido algumas vezes, continuará abordando questões do cotidiano com especial atenção para condomínio, cidadania e defesa do consumidor. Major da reserva da PM, Diógenes Lucca vai tratar de segurança. Para a questão dos transportes, foi chamado o engenheiro Sergio Eizenberg. O urbanista Kazuo Nakano fica por conta da área de desenvolvimento, enquanto o escritor, apresentador e cineasta Alessandro Buzzo enfoca o que há de novo na cultura da periferia.

Somam-se a eles aqueles que já têm história no SPTV, caso de Márcio Canuto. "O SPTV Comunidade, do Canuto, é muito marcante na história do programa. Ele é um patrimônio, tem muito do conceito do jornal", avalia Tralli.

Os 14 jovens escolhidos para integrar o projeto Parceiro do SP já estão produzindo suas matérias, que também chegam ao ar nesta semana. Além disso, o programa quer aumentar a interação com o telespectador, por isso, as redes sociais estarão mais presentes em cena.

Mão dupla. Agora no papel de apresentador, no entanto, Tralli não vai deixar de lado a reportagem. "É um compromisso meu levar à apresentação do jornal a minha experiência de repórter, quero usar minha agenda de fontes em benefício do jornal, quero poder ajudar a trazer assuntos exclusivos."

"A última grande reportagem que fiz foi aquela das fronteiras do Jornal Nacional, que a gente viajou 45 dias, por 16 mil km. Nos últimos dois meses e meio estou totalmente dedicado a este projeto. Estou sofrendo, sinceramente, por não estar fazendo reportagem. Mas depois eu quero voltar a fazer algumas coisas, sim."

Por fim, descarta a classificação de repórter de polícia. "Não cubro muito a área de polícia, frequento muito pouco delegacias. Acho que sou mais um repórter investigativo, cubro a área da Justiça, do Ministério Público, crimes de colarinho branco e tenho participado de grandes coberturas, como Copa do Mundo e Olimpíada."

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