Spike Lee filma vida de soldados negros na 2.ª Guerra

O Milagre de Santa Ana é o título provisório da produção ítalo-americana

Agencia Estado

07 de julho de 2004 | 17h31

O diretor e produtor norte-americano Spike Lee vai rodar no próximo ano um filme baseado na vida dos soldados afroamericanos "esquecidos", que combateram na Itália contra o nazismo e o fascismo, durante a 2.ª Guerra Mundial.Ao apresentar o projeto do filme, que será rodado na Itália e nos Estados Unidos, em Roma, nesta terça, 3, Spike Lee disse que quer iluminar "o grande paradoxo da história, já que as pessoas de cor combatiam pela democracia, enquanto em seu país eram considerados pessoas de segunda classe".Lee afirmou que o cinema de Hollywood "nunca falou do sofrimento dos soldados negros que combateram na 2.ª Guerra Mundial" e assinalou que no romance de James McBride, no qual o filme se baseia, ele encontrou a forma "perfeita" para tratar "da coragem e das dificuldades" enfrentadas por aqueles soldados.O Milagre de Santa Ana é o título provisório do filme que conta a vida de quatro soldados que combatiam na 92.ª Divisão do exército norte-americano, formata apenas por soldados de cor, que ficaram bloqueados em um povoado na região toscana (norte) tomada por tropas alemãs.McBride explicou que sentiu curiosidade pelo que ocorreu durante a guerra e investigou durante seis meses os povoados do norte da Itália onde recolheu material para escrever o livro."Me incomoda o fato do mundo não ter prestado atenção ao sofrimento dos soldados negros que combateram na 2.ª Guerra Mundial, que foram melhor tratados na Itália do que em seu próprio país", destacou McBride.Na apresentação do projeto também esteve presente WilliamPerry, que aos 19 anos foi um dos soldados que pertenceram a este regimento. "Os autênticos heróis da guerra são os que hoje estão sepultados", disse, recordando que dos 15 mil homens que lutaram, 3 mil morreram.Outro participante foi Enrico Costa, o único sobrevivente de sua família durante o chamado massacre de Santa Ana. Costa lembrou quando sua casa foi invadida por soldados alemães quando tinha dez anos e ficou sem sua família, mas disse que hoje já não sente mais rancor.Santa Ana de Stazzema é um pequeno povoado da região toscana que é considerado símbolo da resistência italiana durante a2.ª Guerra Mundial, onde se escondiam os que lutavam contra a ocupação alemã.O filme deverá custar US$ 45 milhões, montante que será financiado pela produtora de Spike Lee e pela produtora italiana On my Own.O diretor norte-americano receberá no próximo dia dez o prêmio Fiesole Maestros del Cine promovido pelo Sindicato Nacional de Críticos Cinematográficos Italianos.

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