JF Diório
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SPFW estreia modesta, apostando na diversidade e nas vitrines

Desta vez, as marcas adotaram, em diferentes medidas, a estratégia do ‘see now, buy now’

Maria Rita Alonso, Carla Raimondi, O Estado de S.Paulo

13 Março 2017 | 21h12

O desfile da UMA ocorreu em silêncio, sem música, sem trilha, entre as obras da Pinacoteca do Estado, e marcou o primeiro dia da São Paulo Fashion Week, que começou na segunda, 13. De fato, este é um momento de reflexão para moda, como frisou a estilista da marca, Raquel Davidowicz. “É hora de se reprogramar”, diz ela, que colocou peças de alfaiataria versáteis e atemporais ao lado de acessórios que traziam modernidade aos looks. “Durabilidade é a palavra da vez. Clássicos ganham valor em tempos de crise.”

A coleção batizada de ‘Herança Renovada’ trouxe uma cartela infalível, baseada nos eternos preto, branco e vermelho. A ex-modelo Suzana Kertzer, de 67 anos, foi uma das surpresas no casting de meninas mais jovens. “Moda não tem idade. Tenho várias clientes bacanérrimas mais velhas e achei legal convidar uma pessoa que as representasse”, diz Raquel.

Havia uma certa rebeldia madura no ar. O styling arrematou os vestidos longos e macacões com botas pesadas (também em branco, vermelho ou preto). Sobreposições de vestidos transparentes sobre calças faziam uma mistura interessante com camisas com fendas longas nas mangas e saias rasgadas. Tricôs de gola de lã foram exibidos em modelos sem sutiã dando um toque sexy à cena.

Os desfiles da tarde acontecem no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera. O evento está mais contido. A cenografia desta edição, que sofreu cortes de investimento, é modesta e resume-se a projeções de folhas nas paredes e um telão com imagens de São Paulo. De certa forma, a SPFW desceu do salto e parece mais democrática, apostando na diversidade. No desfile masculino de João Pimenta, paletós fizeram sobreposição com saias plissadas e calças-saia. Nos corredores, também se viu um número expressivo de meninos de saia. 

Tecidos tecnológicos, entre eles um neoprene biodegradável, faziam um contraponto com a tradicional lã fria. Casacos com bolso frontal e capuz ganharam versão alongada, dando esportividade aos looks. 

Desta vez, as marcas adotaram, em diferentes medidas, a estratégia do ‘see now, buy now’. A Animale fez seu desfile na loja da rua Oscar Freire apostando também na segurança da alfaiataria e em peças sexy que são o forte da marca. A estilista Lilly Sarti acertou em cheio com saias e calcas de couro, transparências, brilhos e babados discretos. Tudo bem comercial e pronto para ir direto das passarelas para as vitrines.

 

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