SPFW estreia em meio à crise econômica

SPFW estreia em meio à crise econômica

Com o corte de investimentos da Prefeitura, Paulo Borges, idealizador do evento, renova o time de estilistas e prioriza as vendas no varejo

Maria Rita Alonso e Isabela Serafim, O Estado de S. Paulo

12 Março 2017 | 03h00

“Este é um chamado às pessoas para acordarem. Saírem da letargia de um passado sem volta”. É com essa chacoalhada que Paulo Borges, organizador da São Paulo Fashion Week, abre o manifesto escrito para esta edição, que começa segunda, 13, e vai até sexta, 17. Em tempos de crise financeira e mudanças na indústria de moda, a semana de desfiles tenta se adaptar, renovando o time de estilistas com seis novas marcas e mudando a data para aproximar a passarela do calendário de lançamentos do varejo. 

Também lida com a queda dos investimentos, especialmente vindos do convênio com a Prefeitura. Este ano, a verba destinada a SPFW será de R$ 3,5 milhões contra R$ 5,6 milhões do ano passado, entregues em dois momentos. “Esperávamos um corte, até porque o prefeito já havia anunciado que enxugaria o orçamento como um todo”, diz Borges. “Mas estamos recebendo R$ 3,5 milhões agora e a ideia de Doria é ajudar na busca de investimentos da iniciativa privada.” A verba do convênio é destinada à infraestrutura dos desfiles, que inclue aluguel do prédio da Bienal, gastos com energia e geradores, entre outras coisas.

Segundo Borges, apesar da diminuição da verba, Doria é um “entusiasta” da moda e está disposto a estimular parcerias. “Conheço Doria há 20 anos. A lógica de gestão dele é exatamente a mesma que a nossa: contar com parcerias nas quais todos se beneficiem. Estamos sentindo, mas o importante é dar as mãos e ir fazendo. Nas horas boas e nas difíceis.”

João Doria deve visitar a Fashion Week na segunda, durante o desfile do estilista João Pimenta. Nesta edição, serão 31 desfiles, 26 deles no Prédio da Bienal. Os demais, em diferentes lugares da cidade. A estilista Raquel Davidowicz, da UMA, por exemplo, mostra sua coleção amanhã, 13, na Pinacoteca.

Para otimizar investimentos dos estilistas, as apresentações seguirão o “see now, buy now” (veja agora, compre agora), testado na última temporada e agora realmente posto em prática pela maioria das grifes – cada marca decide quais as peças e as datas de lançamentos na sequência dos shows. 

Com o fast fashion e a divulgação em massa dos hits das passarelas nas redes sociais, as marcas não veem mais sentido em criar o desejo no consumidor e esperar seis meses para saciá-lo. Isso vai ser capaz de estimular as vendas e preencher o vazio em que vive o varejo? “Não dá para ser otimista nesse momento”, diz Oskar Metsavah, da Osklen. “A crise é generalizada, ninguém está no ‘mood’ de consumir. Mas é melhor fazer isso do que não fazer nada.”

Highlander. Estilistas consagrados como Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho ainda não se adaptaram ao novo sistema e não vão participar do evento. Da formação inicial, a Ellus é uma das poucas que seguem com vigor na SPFW. No desfile marcado para a terça, 14, a marca fundada por Nelson Alvarenga e dirigida por Adriana Bozon comemorará 45 anos, recriando clássicos e reafirmando seus códigos de estilo baseados no couro, jeans e alfaiataria. “Temos uma tradição na moda brasileira e isso nos dá muito orgulho. Nelson costuma dizer que já enfrentamos 12 crises financeiras do País. Sei que vamos superar essa também”, diz Adriana. 

Estreias. A 43ª edição da São Paulo Fashion Week vem cheia de estreias. Desta vez, estilistas trazem propostas interessantes para públicos bem definidos. Em comum, as marcas têm o reconhecimento em nichos. Fabiana Milazzo, com expertise em roupas de festa, agrada aos fãs de vestidos com brilhos e bordados. Da dupla Renata Alhadeff e Fernanda Niemeyer, da A.Niemeyer, pode-se esperar peças confortáveis e cool, tudo a ver com a juventude ligada às artes. 

A 2DNM vai levar muito jeans trabalhado para a passarela, combinando com a clientela moderna. Enquanto isso, a TIG, antiga Tigresse, aposta em peças sofisticadas para mulheres exuberantes. A Alexandrine, de Alexandra Fructuoso, traz coleção de alfaiataria assinada por Dinho Batista, assim como a elite paulistana gosta. A Sissa, de Alessandra Affonso Ferreira, ex-Isolda, apresenta o inverno nominado ‘Mombaça Dendê’ para as it-girls que circulam entre as capitais da moda no mundo todo. Etiquetas comandadas por designers que não são conhecidos pela massa, mas prometem frescor extra à SPFW

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