SPCD inicia temporada com três estreias

41 bailarinos do grupo se dividem entre seis coreografias do repertório da companhia

MURILO BOMFIM, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2013 | 02h10

O teatro Sérgio Cardoso recebe, a partir de hoje, nove espetáculos da temporada de 2013 da São Paulo Companhia de Dança (SPCD). Os 41 bailarinos do grupo se dividem entre três estreias e seis coreografias do repertório da companhia.

Fatiada em três semanas temáticas, a mostra tem três espetáculos por dia de apresentação - sempre de quinta a domingo.

A primeira semana se caracteriza por coreografias que se valem de outras linguagens. "Em Por Vos Muero, o coreógrafo espanhol Nacho Duato se inspira na Espanha dos séculos 15 e 16, tempo em que a dança tinha papel importante na vida social, e relaciona os movimentos com um poema de Garcilaso de la Vega (1501-1536) para falar da paixão popular pela dança", explica a diretora da SPCD, Inês Bogéa. A estreia do europeu é apresentada na sequência das coreografias Bachiana n.º 1 e Inquieto: na primeira, a dança conversa com a música de Heitor Villa-Lobos; na segunda, as cordas que compõem o cenário ganham iluminação especial em uma relação íntima com as artes visuais.

Lembrar o passado para repensar o presente é o tema da semana seguinte. Entre os espetáculos, a estreia de Peekaboo, do alemão Marco Goecke, que montou um minuto de coreografia por dia, totalizando 20 dias de ensaios. A obra leva o nome da brincadeira de se esconder e reaparecer logo depois e usa a infância para abordar a saudade.

O terceiro espetáculo inédito integra o projeto Ateliê de Coreografias, no qual a SPCD convida um profissional para criar um número que tenha afinidade com o trabalho do grupo. O coreógrafo desta edição é Luiz Fernando Bongiovanni, ex-diretor assistente do Balé da Cidade, com passagem pelo Ballet da Ópera de Zurique e pela Cullberg Ballet, importante companhia sueca.

Com Utopia ou Um Não Lugar, o paulistano compõe as noites que tem como tema as novas linguagens na dança. "A técnica clássica estrutura o corpo em um vocabulário fixo. Minha pesquisa busca fazer com que o bailarino crie um cânone pessoal, em vez de seguir os consagrados", diz o coreógrafo que define como "brazuca antropofágico" seu modelo de trabalho. "Temos influências, nos apropriamos de informações externas e a tornamos nossa."

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