SP vê dança e cinema de Jan Fabre

Assistir à exibição de quatrocurtas-metragens do artista belga Jan Fabre nesta sexta-feira à noite,no Sesc Anchieta, pode ser uma boa porta de entrada para ouniverso desse instigante criador. E ainda contribuir para afruição do espetáculo de dança My Movements Are Alone LikeStreetdogs, solo da dançarina da Oceania Erna Omarsdottir,criado por Fabre que será apresentado no sábado e no domingo. Asessão de curtas desta noite será seguida de comentários deChristine Greiner, doutora em Comunicação e Semiótica eCoordenadora do Curso de Comunicação e Artes do Corpo da PUC/SP.E também nesta sexta, haverá o lançamento, no mesmo local, darevista Janus, fundada por Fabre e Dirk Imschoot e editadapor Hendrik Tratsaert. Fabre chega a São Paulo depois de uma passagem peloFestival Internacional de São José do Rio Preto, onde alémdeste solo que os paulistanos poderão ver, apresentou ainda umespetáculo de teatro, She Was and She Is, Even, que não virápara São Paulo. No solo teatral, colocou aranhas (de verdade) nopalco e imagens fortes para falar de sedução: uma atrizinteiramente vestida de noiva, um cachimbo sendo ´pitado´ comvontade e ainda um texto que fala sobre o gozo sexual com termosemprestados da mecânica, como polias, cilindros e motor. Apesardisso, é bastante sutil e minuciosamente trabalhada ametamorfose da mulher-máquina-de-gozo ao longo do espetáculo,que vai mudando delicadamente de sentimento a cada uma dasinúmeras vezes que faz amor. O talento do coreógrafo Jan Fabreaparece no diretor teatral no momento em que, com um súbitomovimento de pernas, dorso e braços, a atriz se transforma, poralguns instantes, em uma impressionante aranha branca, o míticoinseto cuja fêmea devora o macho após a cópula.Embora não sepossa ver essa peça, ela talvez sirva de parâmetro para MyMovements Are Alone like Streetdogs. Desta vez, o ponto departida para a coreografia criada para o Festival de Avignon, naFrança, foi a imagem solitária de um cachorro perambulando pelasruas. Na coreografia, ele se apropria dessa imagem para falar doartista como um ser solitário, como um cão. Num determinadomomento do solo, a atriz cita a canção La MauvaiseRéputation, de Georges Brassen, que fala sobre um homem queera diferente e, por isso, foi repelido pelos habitantes de suaaldeia. Embora o espetáculo teatral possa dar uma idéia daqualidade do trabalho de Fabre, ele provavelmente não aprovariasua utilização como parâmetro para o solo de dança. Ementrevista coletiva no festival de Rio Preto, Fabre fez questãode delimitar fronteiras entre as artes. She Was é um soloteatral, com dramaturgia tradicional. My Movements um espetáculode dança, com coreografia. Performance é uma outra linguagem,instalação, outra ainda. Cada arte tem sua memória, suahistória", enfatizou. Essa delimitação de fronteiras - num panorama em quemuitas vezes a confusão entre elas se dá mais pordesconhecimento do que por clareza de concepção - torna-se aindamais interessante quando parte de um artista múltiplo comoFabre. Ele desenha, dirige peças, óperas e filmes, coreografa,faz filmes, escreve textos teatrais e faz instalações, já tendoparticipado da Documenta de Kassel e da Bienal de Veneza. Os filmes que serão vistos amanhã (26) à noite têmduração variada. No mais longo, de 35 minutos, Fabremetamorfoseado em escaravelho - símbolo da transformação -dialoga com o artista russo Ilya Kabakov, vestido de mosca -símbolo do anonimato. O menor, de 6 minutos, é um solo dobailarino Win Vandekeybus. Os outros dois, Prometheus Landschafte The Schelde, têm respectivamente 9 e 10 minutos.Serviço - My Movements Alone like Streetdogs. Sábado, às 21horas e domingo, às 19 horas. De R$ 7,50 a R$ 15,00. SescConsolação. Rua Dr. Vila Nova, 245, em São Paulo, tel.3234-3000. Sexta, 26/7 exibição de curtas-metragens elançamento da revista ´Janus´, às 20 horas. Entrada franca

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