SP recebe teatro dos Satyros em dose dupla

A companhia teatral Os Satyros parece gostar de tudo em dose dupla. No momento, o grupo mantém uma sede em Curitiba e outra em São Paulo, na Praça Roosevelt. O diretor Rodolfo García Vázquez e o dramaturgo Ivam Cabral, fundadores do grupo, já mantiveram uma sede por sete anos emLisboa e ainda assumiram a direção de um espaço cultural na Alemanha. Neste fim de semana, a companhia traz para São Paulo dois espetáculos dos mais recentes de seu repertório curitibano:Sappho de Lesbos, texto de Ivam Cabral e Patrícia Aguille, eRomeu e Julieta, de Shakespeare.Sappho de Lesbos, que estréia hoje no Espaço dosSatyros, baseia-se na vida e na obra da poetisa grega Sappho etem texto assinado por Ivam Cabral e pela atriz Patrícia Aguille, intérprete da personagem central, integrando um elenco de 13atrizes. Romeu e Julieta, de Shakespeare, com outros 14atores, inicia temporada neste sábado, no Sesc Belenzinho.Há um bom motivo para Romeu e Julieta estrear no Belenzinho. O reduzido Espaço dos Satyros não comportaria aconcepção do espetáculo, realizado para apenas 40 pessoas por sessão, distribuídas em duas arquibancadas móveis. Ao adquirir oingresso, o espectador recebe também um sobrenome: Capuletto ouMontechio, famílias inimigas cuja intolerância recíproca é acausa do fim trágico da história de amor entre Romeu e Julieta.Como os membros dessas famílias, o espectador não escolhe seunome de batismo e senta-se na arquibancada da "família" a quepertence - o que determinará seu "ponto de vista" do espetáculo."Não é um espetáculo interativo, ainda que a primeiracena possa dar essa impressão, quando os jovens das duasfamílias se enfrentam na rua", diz Cabral. Nada mais na ordemdo dia do que uma tragédia causada pela intolerância e, semdúvida, esse aspecto da peça ganha força redobrada nos diasatuais. Em Curitiba, a montagem atraiu muitos adolescentes aoteatro. Vázquez assina a tradução, na qual procurou manter-sefiel à linguagem poética do autor. "Não atualizamos nada,porque Shakespeare não precisa disso." Os figurinos, no entanto, são contemporâneos: os atores vestem jeans, têm piercings etatuagens.O espetáculo Sappho de Lesbos é fruto de uma longapesquisa sobre a poetisa que nasceu em 613 a.C., autora de umaobra cuja qualidade hoje está plenamente reconhecida. "Elaviveu numa época em que o status da mulher era só pouca coisaacima dos animais de estimação", diz Patrícia. "No entanto,alcançou prestígio, sua obra foi reconhecida em vida. O estigmade poetisa homoerótica, estigma que não existia na sociedadegrega, prejudica o pleno conhecimento de sua poesia. A genteespera que as pessoas saiam do teatro querendo conhecer melhor asua obra."Romeu e Julieta. Tragédia. De Shakespeare. Duração:100 minutos. Sáb., às 21 h e domingo, às 20 h. R$ 10. SescBelenzinho. Av. Álvaro Ramos, 991, tel. 6096-8143. Até 21/10;Sappho de Lesbos. Tragédia. De Ivam Cabral e Patrícia Aguille.Duração: 70 minutos. Sexta e sáb., às 21 h; domingo, às 20 h. R$15. Espaço dos Satyros. Praça Roosevelt, 214, tel. 3258-6345.Até 16/12.

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