SP Cia. de Dança flerta com o contemporâneo

Grupo se arrisca ao apostar na obra de jovem coreógrafo

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Corpos que se contorcem no chão, convulsionados. O barulho constante da respiração,em busca do ar que falta. Movimentos frenéticos que se perdem na penumbra, que aparecem e desaparecem conforme as oscilações da luz. É esse, em linhas gerais, o aspecto de Supernova, coreografia que a São Paulo Companhia de Dança estreia em sua segunda temporada de 2011. O programa poderá ser visto entre amanhã e domingo no Teatro Alfa.

Primeira obra do jovem coreógrafo alemão Marco Goecke a ser montada no Brasil, Supernova confirma a opção do grupo pela versatilidade de estilos.

Criada em 2008, com a pretensão de retomar coreografias do repertório clássico, a companhia não fugiu a essa sua proposição inicial. Nesses três anos, delineou um percurso que tem os pés fincados na tradição. Nunca deixou, porém, de se aventurar por outros territórios . E flerta, sempre que pode, com o contemporâneo.

Nome em ascensão no cenário internacional, Goecke tem na excessiva rapidez da movimentação um traço característico do seu trabalho. "É a oportunidade de os nossos bailarinos trabalharem um tipo de movimento novo, com o qual não estão habituados", comenta Iracity Cardoso, que dirige a companhia ao lado de Inês Bogéa. "Os nossos coreógrafos ainda não chegaram nesse grau de aceleração."

Além da rapidez nos movimentos, a criação de Goecke também se destaca pelo uso particular que faz da iluminação.

Sua concepção prevê que sete bailarinos tomem o palco na semi escuridão e se valham, em alguns momentos, de artefatos de fogo para iluminar a cena.

Difícil definir com exatidão qual é o mote que conduz a criação do coreógrafo alemão. Responsável pela remontagem brasileira da obra, o italiano Giovanni di Palma também não dá muitas pistas que ajudem a desvendar seu sentido. "É uma coreografia de energia. Não se trata de fazer uma performance com luzes, mas a iluminação serve para instaurar uma atmosfera. E é essa atmosfera que queremos que o público sinta."

Na mesma noite, o grupo também revê peças de temporadas anteriores. Apresentadas em março deste ano, Inquieto, coreografia de Henrique Rodovalho, e Legend, de John Cranko, retornam ao programa.

Outra criação que a plateia poderá ver de novo é Tchaikovsky Pas de Deux. A retomada da afamada coreografia de George Balanchine (1904-1983), contudo, terá sabor de estreia para o conjunto. Isso porque a São P aulo Cia. de Dança receberá Marcelo Gomes, primeiro bailarino do American Ballet Theatre, como solista convidado.

Brasileiro, Gomes integra o corpo de baile da companhia norte-americana desde 1997. "Dançar aqui é uma troca importante não só para eles, mas para mim também", diz ele.

Concebido por Balanchine para o New York City Ballet na década de 1960, esse pas de deux é conhecido pelo alto grau de virtuosismo técnico que costuma exigir de seus intérpretes.

SÃO PAULO CIA. DE DANÇA

Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000. 6ª, às 21h30; sáb., às 21 h; dom., às 18 h. R$ 40/R$ 60.

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