"Souvenirs" investiga o amor de hoje

Com texto inédito de FernandoBonassi e Victor Navas estréia nesta sexta-feira, para convidados, esábado para o público a primeira produção teatral deste ano doTeatro Popular do Sesi - Souvenirs. A montagem tem direçãode Márcio Aurélio e no elenco estão Leopoldo Pacheco, João Vittie Malu Bierrenbach. Como os demais espetáculos produzidos peloCentro Cultural Fiesp e apresentados no Teatro Popular do Sesi,a entrada é grátis. Realizar uma investigação sobre o amor nos dias de hojeé a intenção dos autores de Souvenirs. "A relação amorosase transformou muito nas últimas décadas, mas nós não temosinstrumentos contemporâneos para lidar com o fenômeno do amor",argumenta Bonassi. A ação da peça se passa toda num quarto dehotel. Naquele lugar impessoal, um homem arruma uma mala. Amulher que estava ali com ele saiu para fazer umas compras, porsugestão sua. Enquanto isso, ele, o "sedutor", chama o maridopara "devolver" essa mulher. "O que você faz de verdade quando se depara com atraição de sua mulher? Quando a surpreende com outro num quarto?Essa situação ainda é explorada sob a ótica do romantismo ou domelodrama", lembra Bonassi. "Nossa tentativa é ver isso poroutros ângulos." A inspiração para a história veio de umrecorte de jornal, uma notícia sintética sobre um sedutor queconquistava mulheres e gastava o dinheiro delas, a dois. "Essefoi só o ponto de partida. Mas o texto tem esse meu estilorealista. Daí o convite ao Márcio Aurélio, porque eu queria umdiretor que pudesse secar a realidade do texto para ressaltar osimbólico." Márcio Aurélio foi buscar esse simbolismo no texto."Para quem estava incumbido da abstração, comecei da forma maisinesperada: o chamado trabalho de mesa, a leitura cuidadosa dotexto", lembra Márcio Aurélio. E foi na primeira rubrica(indicação do autor) - "a cama está desarrumada" - que surgiuuma das chaves para a concepção. "A cama, também no sentidometafórico, está desarrumada", argumenta o diretor. O cenáriode Daniela Thomas e André Cortez foi criado dentro dessaperspectiva. No centro do palco, está demarcado o espaço doquarto. "Um quarto com todos os elementos realistas, porém comdimensões e posições que provocam certa estranheza. Há um fendana parede. O comportamento dos personagens abre uma fissura poronde pode-se tentar descobrir um novo caminho para a relaçãoamorosa. Mas não há respostas no palco." A fissura permite, no máximo, novas perguntas. JoãoVitti interpreta o marido traído. "O que torna esse personagemmuito interessante é que ele começa a questionar o própriocomportamento. Ele vem para tentar entender." A transformaçãopela qual os três personagens passam começa pela atitude damulher. "Outra coisa que me chamou atenção no texto é que ospersonagens não tinham nome, eram ´sedutor, marido e mulher´. Ouseja, ela não era esposa, ele não era amante. O único papeltradicional era o do marido", observa o diretor. "E elequestiona o seu papel, passa por um aprendizado e sofre umatransformação."Serviço - Souvenirs. De Fernando Bonassi e Victor Navas. DireçãoMárcio Aurélio. De quinta a sábado, às 20 horas; domingo, às 19horas. Grátis (retirar convites uma hora antes do início doespetáculo). Teatro Popular do Sesi. Avenida Paulista, 1.313,São Paulo, tel. 3284-3639. Até 21/4.

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