Sotaque inglês

O cellista David Chew grava DVD e abre encontro dedicado ao instrumento

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

Nos anos 70, o violoncelista e o violista britânicos David Chew e Russell Guyver, os pianistas americanos Gerald Robbins e Lorna Griffitt e o violinista cipriota Haroutune Bedelian freqüentavam o mesmo lugar: no London Music Club, tocavam durante horas e forjavam laços que persistiriam até hoje, quando todos são solistas de renome e professores universitários.

Natural de Yorkshire e neto de cellista, Chew se fixou irremediavelmente no Rio há 30 anos, trazendo na barba ruiva a experiência da Orquestra Nacional Jovem da Grã-Bretanha e da Sinfônica da BBC. Tornou-se spalla de seu naipe da Orquestra Sinfônica Brasileira, pelas mãos de Isaac Karabtchevsky. E faz questão de trazer os antigos companheiros ao festival que criou para dar destaque ao seu instrumento, o Rio International Cello Encounter, cuja 17ª edição, em homenagem a Piazzolla, Nino Rota e Liszt, foi aberta ontem.

Escolas. "Vou levá-los para as comunidades onde dou aula", conta o músico, que percorre com desembaraço favelas cariocas e cidades do interior. Pensando nesses alunos, e também nos estudantes de graduação de faculdades, ele e os demais gravaram essa semana no Conservatório de Tatuí (SP), cidade que há quatro anos também recebe o festival, um DVD em que tocam quartetos para piano de Schumann e Brahms, pianistas e compositores alemães contemporâneos e complementares, que se inspiraram nessas peças em outro mestre alemão: Beethoven.

Chew quer espalhar o material por escolas e bibliotecas. A intenção é incentivar a execução da música de câmara entre os jovens. A direção é do maestro José Schiller, parceiro desde que o sotaque britânico se intrometia ainda mais no português, carioca.

Enquanto aguardava o desenlace da crise da OSB, Chew, "o mais carioca dos músicos ingleses", se desdobrou na produção do RICE. Contou com a colaboração da filha, a bailarina Mariana Chew, fruto do casamento com a brasileira que o trouxe ao Brasil, a pianista Claudia Tolipan. Hoje sua amiga, ela também se apresenta no festival.

Foi através de Claudia, ou melhor, de seu pai, que era amigo de Villa-Lobos, que se deu a paixão à primeira audição pela música brasileira. "O pai dela jogava bilhar com Villa-Lobos. Mindinha (mulher do compositor) mandava as partituras para Londres (onde Chew e Claudia se conheceram) e eu tocava", relembra.

"Em 1994, foi inspirado no Villa que pensei o Rice, por causa dos solos de cello nas ''Bachianas''. Pensei em como o cello pode juntar as pessoas. Eu venho da paz e do amor. Por isso não consigo pensar música como motivo de briga", diz.

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