SOS

Eu estou há cinco meses escrevendo nesse espaço e não faço a menor ideia se alguém já leu essa coluna. Deduzo que sim, que pelo menos algum ser humano tenha passado os olhos por aqui, porque estou estrategicamente acima do horóscopo, que tem boa saída. Mas não sei se está bom, se está ruim, se eu sou uma fraude, se as pessoas estão gostando, se o que escrevo vem sendo um constrangimento para a população de São Paulo, não sei nada!

FÁBIO PORCHAT, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2013 | 02h17

Desde que eu comecei, nunca recebi um e-mail de alguém que tenha lido a coluna. Não necessariamente porque ninguém mandou e, sim, porque esse e-mail pra contato que tem aí, do lado da minha foto, não está funcionando. Ele foi colocado aí, mas ainda não foi ativado por ninguém. Eu moro no Rio de Janeiro, então meu único contato com a realidade, ou seja, os "meus leitores" paulistas, é a minha tia Lúcia, meu pai, minha mãe, minha prima Flávia e minha tia Maria Elisa. Como eles têm meu e-mail pessoal, volta e meia recebo comentários do que escrevi. Minha gente paulistana, estou no escuro, desesperado querendo saber o que eu fiz de certo e de errado. Quero saber alguma coisa, qualquer coisa. Se você já mandou algum e-mail pra mim e eu não te respondi, a culpa não é minha, juro. Eu nem sei que você sabe que eu existo! Não fica bravo comigo.

Eu posso imaginar alguém que se deu ao trabalho, em um domingo à tarde, de abrir seu computador, entrar na internet, redigir um texto, reler, enviar, ter ficado sentido de não ter recebido sequer um e-mail de retorno do tipo: valeu, sucesso! Ou: obrigado pela sua foto nua em uma banheira de leite condensado. Tendo a imaginar que os textos não estejam tão péssimos, porque senão alguém do jornal teria dito alguma coisa, tomado alguma atitude ou me trocado por um outro articulista, um Eri Johnson, sei lá. Não falo isso por falsa modéstia, querendo dizer que ninguém me lê quando na verdade eu sei que leem. Falo isso porque nunca ninguém falou pra mim aqui no Rio: li sua coluna de domingo, parabéns. Ou: li sua coluna de domingo, tenho nojo de você. Ou: não li sua coluna de domingo agora e nem vou ler pois um dia li uma coluna sua de domingo e achei que parecia que tinha sido escrita pela minha filha semi analfabeta de cinco anos de idade ou pelo seu cachorro Wolf. Então, se, por acaso, você quiser salvar um jovem colunista cego da solidão completa, mande um e-mail apenas dizendo "Te li" para o e-mail falecomigo@fabioporchat.com.br e eu saberei que no próximo domingo existe alguém aí do outro lado! Se por acaso você quiser reenviar aquele seu e-mail antigo (eu sei que seria um absurdo você ainda ter isso salvo na sua caixa de enviadas, mas...) me manda que eu vou responder pra você! No mais, um beijo pra Tia Lúcia, Tia Maria Elisa, Flá, minha mãe, meu pai e pra você!

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