Helvio Romero/AE
Helvio Romero/AE

Soprano Giovanna Casolla faz recital em São Paulo

Italiana será acompanhada pelo pianista Anderson Brenner e terá ao seu lado o tenor brasileiro Richard Bauer

João Luiz Sampaio, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2011 | 08h37

Divas costumam vir em todos os tamanhos, idiomas e culturas. Mas há algo de especial na personalidade das italianas, cujas trajetórias se misturam à própria história da ópera. Giovana Casolla é uma delas. A soprano está no Brasil desde a semana passada, dando masterclasses, e nesta terça-feira, 13, fará um recital no Teatro São Pedro, na cidade de São Paulo. Gostou do que ouviu durante as aulas, mas não perde a chance de fazer suas críticas, quando perguntada sobre a diferença entre a sua geração e as levas recentes de jovens cantores. "Tudo tem que ser natural no canto e isso é algo cada vez mais raro de se encontrar."

Tosca, Turandot, Manon Lescaut, Carmen - a lista de papéis interpretados por Casolla ao longo de sua carreira nos principais teatros do mundo, do Metropolitan de Nova York ao Scala de Milão, sugere uma voz pessoal, que extravasa as separações naturais feitas entre o repertório de soprano e o de meio-soprano. O mesmo vale para o programa de seu recital, quando será acompanhada pelo pianista Anderson Brenner e terá ao seu lado o tenor brasileiro Richard Bauer. Na primeira parte, trechos de Cavalleria Rusticana, de Mascagni; Don Carlo, de Verdi; Andrea Chenier, de Giordano; e La Gioconda, de Ponchielli. Depois do intervalo, Tosca, de Puccini, e A Força do Destino e Aida, de Verdi.

Conversando com o Estado, ela conta que a variedade no repertório e o flerte com papéis de meio-soprano, voz mais grave que a de soprano, surgiu naturalmente. "Comecei a minha carreira com Nino Rota, Napoli Milionaria, cantei Bartók, passeei por boa parte do repertório até chegar a Puccini e Verdi, onde me sinto mais à vontade", diz. "Ao longo desse processo há um aprimoramento natural da voz, para o qual contribui a presença de professores e maestros sensíveis: no meu caso, o italiano Gianandrea Gavazzeni, com quem trabalhei muito, um grande músico que me ajudou a desenvolver os personagens. E, com o tempo, se você respeita sua voz, ouve o que ela tem a dizer, vai naturalmente incorporando alguns papéis que, em teoria, não seriam indicados para você. Eu jamais cantaria Azucena, no Trovatore, por exemplo, é um papel muito grave, mas Eboli ou Amneris foram possibilidades reais que abracei. No fundo, trata-se de escolher o repertório certo na hora certa."

"Natural" parece ser uma palavra fundamental no vocabulário da soprano. Ela explica que, no que diz respeito à voz, não pode ser diferente. Usa os alunos brasileiros como exemplo. Diz que há várias vozes "importantes" – adjetivo utilizado no mundo da ópera para descrever uma voz capaz de desenvolver boa carreira no palco. "Quando se está em uma masterclass, há um limite para o que é possível ensinar, afinal você não tem muito tempo, precisa dar atenção a vários alunos. Mas é possível indicar algumas coisas específicas. Uma meio-soprano ficou feliz pois, enquanto trabalhávamos, conseguiu dar um agudo que nunca havia dado antes", exemplifica. "Meu objetivo num contexto como esse é que eles entendam o funcionamento da voz e busquem dentro de si a compreensão do que estou tentando dizer."

Em alguns casos, explica, é preciso também sugerir ao aluno que busque um novo professor. "Ao ouvir um cantor, você percebe o que é falha de orientação e, nessas horas, não há outro jeito além de sugerir a troca. É muito triste ver uma grande voz, importante, se perder por conta de um mau professor – e isso acontece muito frequentemente. Hoje, o aluno se forma na universidade e, sem chance no mercado de trabalho, vira professor. Como alguém sem experiência no palco pode ensinar alguém a cantar? E isso acontece em todo o mundo, não é algo da realidade brasileira apenas. As vozes parecem presas nas gargantas, não saem naturalmente e isso não é bom." Quando lembra dos mestres que a orientaram, ela volta a mencionar Gavazzeni. "Tínhamos uma sintonia perfeita, era um maestro perfeito, que entendia a voz, entendia o cantor, e sabia fazer com que a orquestra cantasse ao nosso lado, respirasse conosco."

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