SONS E IDEIAS EM COMUNHÃO COM A NATUREZA

O festival Música em Trancoso dá a largada hoje para sua segunda edição, trazendo uma série de novidades - a mais importante delas, a construção definitiva do anfiteatro projetado por François Valentiny, que passará a funcionar durante todo o ano como um centro cultural.

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2013 | 02h08

O teatro, que dialoga com a paisagem natural de Trancoso, foi concebido originalmente como uma estrutura móvel, a ser montada durante o período do festival. "Mas o resultado da edição do ano passado, o interesse que a programação despertou na população, nos levou à ideia de manter o palco como uma opção cultural para a região", explica Sabine Lovatelli, presidente do Mozarteum Brasileiro e uma das idealizadoras do festival.

O interesse, ela conta, parece ter se mantido para este ano. O novo anfiteatro terá, além de sete salas de aula com tratamento acústico, dois palcos - apenas um deles será utilizado este ano, uma vez que as obras só serão concluídas após o festival. Nele, há espaço para 1.100 pessoas. "Os concertos são todos gratuitos, basta que as pessoas se inscrevam para conseguir um ingresso. E já estamos com cerca de 1.700 pedidos para cada noite, um número que nos impressionou bastante", conta ela. O festival terá oito apresentações, com atrações que vão da música erudita (a orquestra do Neojibá, projeto educacional baiano inspirado no Sistema Venezuelano e a Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo) ao jazz (o pianista César Camargo Mariano e a cantora Lenny Andrade). Além dos concertos, o festival tem ainda uma parte pedagógica, que conta com professores vindos do mundo todo - entre eles, solistas da Filarmônica de Berlim, que vão se reunir a músicos brasileiros em programas dedicados à música de câmara; por sua vez, os alunos também desenvolvem trabalhos com escolas da região.

"A edição do ano passado foi um teste para nós", conta Sabine. "E foi muito bom ver o clima de encantamento de todos os envolvidos, tanto que os músicos de fora aceitaram voltar este ano e acabaram desenvolvendo uma relação com a Bahia que vai além da nossa programação. Vários deles me ligam e dizem: estou em Salvador, trabalhando com jovens músicos! E, para este ano, o que procuramos fazer foi aumentar o diálogo com a comunidade. Essa é a nossa proposta: não apenas trazer a arte, oferecer oportunidades para jovens talentos, mas também criar mercado para a cidade durante a baixa temporada. E planos não faltam: estamos conversando, por exemplo, com a Embaixada da Áustria e vamos instalar aqui um curso de luteria, aproveitando a força do artesanato, que é uma das marcas da região. Veja, para nós é muito claro: temos talento, precisamos é oferecer oportunidades."

Para Sabine, a descentralização é fundamental no cenário atual da música clássica brasileira. "Fazer o festival aqui é importante porque ajuda a descobrir talentos fora do eixo Rio-São Paulo. Mas há algo ainda mais importante. Não queremos que todos os jovens se tornem músicos, não se trata disso mas, sim, de entender a arte como algo que liberta, que desenvolve um sentido crítico que vai permitir a eles serem o que quiserem. E estar fora de São Paulo ou do Rio é bom também porque permite tranquilidade e calma para a circulação de ideias. E isso a gente viu no ano passado: a programação que montamos é uma base a partir da qual os professores e alunos constroem coisas novas."

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