Sons criados com arte e ciência

Tecnologia é conhecimento aplicado. As músicas e os músicos contemporâneos sabem disso. Quando Pierre Boulez afirmou, décadas atrás, que todo compositor precisaria ser também um cientista se quisesse atribuir algum sentido atual à sua criação, muita gente estrilou. O autor do Martelo Sem Mestre não só tinha razão como realizou seu sonho de unir ciência e música no IRCAM em Paris. Em termos práticos, é preciso fazer a música se beneficiar dos mais recentes avanços tecnológicos - e até criar novas tecnologias para permitir a viabilização das novíssimas ideias criativas.

João Marcos Coelho, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h07

O Net Concert realizado anteontem no Auditório Lupe Cotrim, na ECA-USP, representa a mais avançada aplicação tecnológica à disposição dos músicos - intérpretes e compositores. Fernando Iazzetta e seus parceiros de vários outros departamentos da USP, além de outras universidades e especialidades, no Brasil e no exterior, agem hoje como os verdadeiros criadores sempre se comportaram ao longo do tempo.

Beethoven, que viveu num momento em que o piano ainda não tinha assumido sua forma final, desafiava os fabricantes: fazia música que usava mais notas do que as que o instrumento possuía e aqueles tinham de aumentar o teclado. Um rápido olhar pela música experimental do século 20 indica que ela caminha de mãos dadas com a tecnologia, num jogo decisivo de toma-lá-dá-cá. 

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