Sonic Youth de câmara

A notícia de que aos 50 e tantos anos um baluarte do rock desplugou sua guitarra para gravar violões e harpas levanta suspeitas de que as pazes com a meia-idade foram finalmente feitas, de que a angústia de outrora não impulsiona mais os acordes que incendiaram a juventude de sua geração. Quase uma regra, exceto quando se trata de Thurston Moore.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

Meio século de vida e o lóbulo esquerdo do Sonic Youth, padroeiro do indie rock e revolucionário da guitarra, continua impossível, experimentando com noise, gravando com uma série de bandas e buscando sonoridades acústicas com Beck Hansen em seu terceiro álbum solo. Batizado de Demolished Thoughts, a colaboração da dupla (Beck só produz) soa como um disco do Sonic Youth desconstruído e readaptado. As afinações pouco ortodoxas são traduzidas para violões de 6 e 12 cordas, o que transforma, com o contraponto de harpa e violino, as harmonias atípicas de Thurston em poemas camerísticos. A força antecipadora da música do Sonic Youth tem aqui um tom pastoral e sua energia parece carregar a promessa da primavera, o cheiro de chuva no mato. São canções que respiram e destoam por avenidas instrumentais e poéticas, compostas, cantadas e tocadas com a economia de um veterano e a urgência de um iniciante.

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