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Evelson Freitas/AE
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Som e reflexões na garagem

Cia. O Grito inicia hoje temporada com peça que fala do desafio de grupo de jovens para formar uma banda musical

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2011 | 00h00

A música como forma de expressão de uma geração ainda incerta com os próprios anseios - essa foi a premissa para a Cia. O Grito criar seu novo espetáculo, Tirando Um Som na Garagem, que inicia temporada hoje, no CEU Jaguaré, inaugurando uma temporada de 60 apresentações por outros espaços municipais da cidade.

Conhecida pelo trabalho com público infantil e juvenil a partir de temas pouco comuns nessa faixa etária, a companhia propõe apresentar questões que provoquem reflexão, sensibilização e conhecimento estético. "Nossos temas são os desafios de um grupo de jovens que busca a inserção profissional através da formação de uma banda de música", comenta o diretor Roberto Morettho.

Assim, cinco adolescentes (interpretados por Alessandro Hernandez, prêmio APCA de melhor ator no teatro infantil em 2005 pelo espetáculo Marujo o Caramujo e a Minhoca Tapioca), Léia Rapozo, Teca Spera, Frank Tavanti e Marco Barreto se unem e descobrem as dificuldades de se montar uma banda - não apenas os problemas típicos de se organizar um grupo musical, mas principalmente aqueles provocados pelo relacionamento entre eles.

Para isso, o grupo decidiu inovar seu método de trabalho. Primeiro, organizou uma sede no bairro do Ipiranga, onde selecionou jovens, entre 105 inscritos que, com os atores, experimentaram um processo de criação no formato de workshops de iluminação, cenário, figurinos, dramaturgia e música. As pesquisas mapearam as diversas tribos juvenis da cidade de São Paulo e se transformaram em discussões na sala de ensaio.

"As cenas foram construídas entre uma escritura racional e um universo onírico, bem característico da fase da adolescência, na qual sonho e realidade se misturam", observa Morettho.

O processo de criação foi coletivo. Assim, refletores e luzes móveis foram propostas pelo grupo formado por jovens e atores e retrabalhadas com Marisa Bentivegna, a artista responsável pela criação da luz. A mesma dinâmica foi utilizada na concepção nos cenários sob orientação de Julio Dojcsar, nos figurinos com Débora Bolsoni, na dramaturgia com Paula Chagas Autran e Marcos Gomes e na direção musical com o maestro Amalfi.

"A ideia é proporcionar aos jovens a real experiência de criação teatral e a nós, artistas, utilizar essa vivência como material de trabalho para a elaboração de um novo espetáculo", continua Morettho, que foi indicado para o Prêmio Coca-Cola Femsa de melhor diretor em 2004 pelo espetáculo O Caso da Casa.

O grupo também preparou um guia sobre o trabalho de criação, que é distribuído aos professores que acompanham seus alunos. E, antes e depois de cada espetáculo, serão discutidos temas pertinentes à arte, ao teatro e a políticas públicas de juventude. "Queremos estimular professores e alunos para a audição do espetáculo", comenta o diretor.

CURRÍCULO

O Caso da Casa (2003)

Primeiro espetáculo da Cia. O Grito, com texto de Hugo Possolo e Maria do Carmo Murano.

Marujo o Caramujo e a Minhoca Tapioca (2005)

Peça que garantiu a Alessandro Hernandez o prêmio APCA de melhor ator no teatro infantil.

1001 Fantasmas (2010)

A mais recente produção, inspirada em obra de Heloisa Prieto.

TIRANDO UM SOM NA GARAGEM

CEU Jaguaré. Av. Kenkiti Simomoto, 80, tel. 3719-2250. 4ª a 6ª, 10 h e 15 h. Grátis. Até 10/6.

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