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Som a Pino: 'Tem mana no rap...'

Liniker e os Caramellows lançam música inédita

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

13 Março 2018 | 02h00

É tanta música, é tanto artista, é tanta novidade... Como conhecer tudo? Como ouvir tudo? O que faz a gente parar para ouvir algo na internet, esse mundo de possibilidades? Não sei bem... mas, semana passada, eu parei para ouvir um rapper novo de idade e lançando o primeiro trabalho, ótimas rimas, um baile de ideias, batidas perfeitas, atual, político, conectado e para bailar até o chão. E ainda tem novidade de quem um dia estourou assim do nada e dominou a música brasileira. Uns chegam, outras firmam, que bonito viver a história da música brasileira.

Minha descoberta mais recente é o primeiro disco do rapper Hiran, de 22 anos, de Alagoinhas na Bahia. O disco chama Tem Mana no Rap, com produção de Tiago Simões. “Quando eu comecei a rimar, devia ter uns 12 anos de idade. No começo, era muito ingênuo sobre o processo de criação musical, acreditava que sempre o vocalista era, também, o compositor e que ele só escrevia o que tinha passado na vida. Com o passar do tempo, descobri que as coisas não eram bem assim - no contexto geral -, mas que esse era um dos pilares da grande maioria dos artistas de rap, o que me fez sonhar em fazer rap, à parte das óbvias correlações de luta pela igualdade, pela inclusão e pelo fim do preconceito - batalhas que eu trago comigo desde que nasci”, me escreve Hiran.

DALASAM

Na primeira música lançada, ele conta como o rapper Rico Dalasam abriu caminhos. “Eu acreditei durante muito tempo que o rap não era para mim. Por ser gay, por me vestir diferente, por causa do dialeto que me rodeia. Na minha cidade não tenho exemplos de rapper gays; e eu conheci e fui apresentado a poucos no Brasil. Acabei fazendo uma série de outras coisas dentro da música.

Quando conheci o trabalho do Rico Dalasam, minha vida mudou. De pouquinho em pouquinho, eu fui tomando coragem e decidi investir de vez na carreira. As coisas são difíceis, sabe? A gente sente como se tivesse que trabalhar duas vezes mais duro para poder ocupar os espaços numa realidade bem preconceituosa. A gente vai na batalha e vê as pessoas nos chamando de ‘viadinho’ com um tom bem depreciativo. Sem contar as coisas que a gente ouve na caminhada. Mas eu não estou reclamando não, acredito que a gente tem de dar as caras e fazer para mudar o jogo.”

E agora ele dá as caras e nos entrega sua arte. Recomendo fortemente que você vá ouvir agora. Se existe aquela brincadeira/modo de elogiar “o que é que tem na água de tal lugar, que tem tanta gente talentosa?”. Estamos agora todos banhados pelas águas da Bahia, que estão encantando a música brasileira que acontece agora. “Baiano pode mudar o Brasil.”

MÚSICA DA SEMANA

Lava

Liniker e os Caramellows se preparam para apresentar nesta semana a primeira faixa do novo disco que será lançado pela Natura Musical e ainda não tem data marcada, mas já é um aperitivo para o que está por vir. A música chama Lava e chega para gente no dia 16 de março. 

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