Caroline Bittencourt
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Som a Pino: Resiste amor em SP

'Espiral de Ilusão', o belo disco de samba lançado por Criolo

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 02h00

Sábado, 24 de junho, foi dia de lançamento aqui em São Paulo do novo disco do Criolo, Espiral de Ilusão, um disco de samba. O Citibank Hall estava lotado e todos berravam muito à espera do cantor. Criolo ficou mais conhecido em 2011, quando gravou o disco Nó na Orelha, que já faz parte da música brasileira e Não Existe Amor em SP é canção que marcou sua época. Mas a carreira dele começou muito antes. Imagine só quantos artistas deixamos de conhecer? Ainda bem que Criolo persistiu e conseguiu o merecido reconhecimento. 

Depois do disco de 2011, Criolo lançou o álbum Convoque Seu Buda (um retrato poderoso do nosso país). Em 2016, ele gravou uma nova versão para o disco de estreia, lançado em 2006, quando ele ainda assinava Criolo Doido, era um modo de recontar uma parte de sua história que muita gente não conhecia.

E agora, enquanto todos esperavam mais um disco de rap, ele vem com um bonito disco de samba (produção mais uma vez de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral). “Obrigado pelo fortalecimento”, começa ele agradecendo. “Há um ano estávamos aqui, foi a invasão da quebrada no ambiente com letras feitas há 20 anos e hoje celebramos o samba”, disse ele se referindo ao show do Ainda Há Tempo, um ano antes. “Vamos cantar com amor e axé que o bagulho tá osso.” E assim foi... o Brasil do jeito que está e o público embarcou em uma experiência catártica com as palavras do Criolo, que tem esse poder de liderança que está tão em falta no nosso país. Algo que me faz ver ao vivo o poder da arte e o porquê de tentar marginalizar artistas. “A cultura, a arte em geral, tem isso de mostrar o que a gente tem de melhor, não tem coisa mais linda para se curar do que uma música.” 

Criolo cantou samba com propriedade, resgatando inclusive músicas de outros discos, afinal essa relação já é antiga. Com ele, uma banda muito poderosa no palco, que faço questão de parabenizar aqui: Ed Trombone, Fernando Bastos, Alemão, Fumaça, Guto Bocão, Gian Correa, Ricardo Rabelo, Mauricio Badé e a participação linda das Clarianas (Martinha Soares, Naloana Lima e Naruna Costa). 

Menino Mimado tem forte potencial para ser hino deste ano, “meninos mimados não podem reger a nação”, e Nas Águas abriu e fechou o show com plateia pulando: “O ano não foi bom por culpa minha ó pai, abençoa demais esse pobre infeliz. Que o próximo venha assim de axé de amor pra ser feliz”. No bis teve Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, uma versão de Juízo Final, e todos gritavam forte “o amor será eterno novamente”. Cantar samba e amor até mais tarde é fórmula já conhecida e foi muito bem adaptada para 2017.

MÚSICA DA SEMANA

Cansaço

Ouvindo os sambas de Criolo, me lembrei desse samba de Douglas Germano (compositor e cantor contemporâneo que recomendo demais). “Tanta solidão, tanta servidão, e a gente cada dia mais feliz... tanta ingratidão, tanta incompreensão... E a gente mais perto do que nunca quis.”

 

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