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Fabio Motta/ Estadão
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Som a pino: ‘Paradise City’

Uma máquina do tempo chamada Rock in Rio

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2017 | 03h00

Representantes de gravadoras circulam pelo local, jornalistas trabalham em equipes grandes e se revezam para publicar mais de cinco críticas por dia, o jornal de cultura é tomado por música, apresentadores de TV esperam ansiosos na coxia a saída dos artistas para perguntar como foi o show, celebridades de paetês querem ser vistas e fotografadas, políticos tentam ganhar voto em alas Vips lotadas (mas só pra quem pode), o público gigante chega cedo para garantir um lugar e na saída levam um souvenir do evento comprado em uma das mil lojas. Pude reviver o tempo em que isso acontecia – em 2017, numa máquina do tempo chamada Rock in Rio.

Muitas vezes, escrevo nessa coluna sobre o enfraquecimento das gravadoras, a falta de espaço para música brasileira na grande mídia, a difícil missão de atingir e formar um público, a crítica ou ausência dela na mídia impressa, como e se uma banda consegue chegar ao mainstream hoje, como inventar estratégias para vender um produto que não seja o disco, uma vez que disco quase não vende mais e coisas assim como se isso fosse o óbvio do mercado da música em 2017, mas fui ao Rock in Rio em que a indústria gigante é ou tenta mostrar que é forte e ainda temos pessoas sedentas por antigos sucessos. 

Foi uma aula de mainstream. Artistas eram levados às pressas, logo após o show, para exibir felicidade na TV, produtoras disputavam a vez na frente dos camarins, o público gritava e pedia mais e mais, marcas por todos os lados – era só escolher qual você queria na sua selfie, celebridades globais desfilavam seus looks, credenciais e pulseirinhas, youtubers e influencers circulavam, telefones eram vistos por toda parte fotografando e filmando tudo para que a gente nunca esqueça que viramos todos a TV que tanto criticávamos. 

No meio de um show, o rapaz entediado quase dormia em pé, quando seu amigo liga o stories, ferramenta do Instagram, e ele grita, pula e comemora – uma imagem vale mais do que mil sentimentos. E foram muitas imagens...

Esse ambiente ficou ainda mais surreal, na sexta-feira, no dia que explodiu mais um confronto na Rocinha, pois enquanto rádios e jornais falavam sobre uma possível intervenção das Forças Armadas (favor não ler isso como algo natural) os tais sedentos fãs se preocupavam em como chegar lá na nossa Paradise City com grama verde artificial e garotas e garotos bonitos. 

Quem me trouxe pra casa, Brasil 2017, foi a banda Baiana System, lembrando logo de cara o que estava acontecendo lá fora das grades – “vamos fazer barulho por todas as comunidades do Rio de Janeiro” e o baixo tremia o chão e o coração e o público se aproximava para entender o que estava acontecendo. Foi de arrepiar, emocionante mesmo. 

“Vocês gostam de rock? Vocês gostam de rock?”, perguntou Russo Passapusso antes de descer do palco e, nesse momento, rápido, todo mundo começou a sacar o celular do bolso para registrar tudo, mas ele logo chamou de volta pra vida: “Esquece o celular” e gritou “vamos derrubar essa casa”. Grande!!

Música da semana - ‘Recomeçar’

Hoje é dia de lançamento do primeiro disco solo do cantor, músico e compositor Tim Bernardes. O disco leva o nome da faixa Recomeçar e a maioria dos instrumentos foi gravada por ele. 

O show de lançamento está marcado para o dia 6 de outubro no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O disco já nas redes e show imperdível. 

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