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Som a Pino: 'Papo reto'

Johnny Hooker lançou o segundo disco, Coração, e a primeira música lançada foi essa com participação da Liniker

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2017 | 02h01

Começo com um trecho do livro Na Minha Pele, do ator Lázaro Ramos, leitura fundamental, pois “Não é possível que não haja um caminho. Tem que existir um novo pensar, um novo formar, um novo amar”. 

Hoje, escrevo sobre um clipe que será lançado no dia 27 de julho, quinta agora, no Itaú Cultural, em São Paulo. 

Craca e Dani Nega lançaram em 2016 o disco Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha e se preparam para lançar o videoclipe da música Papo Reto, um manifesto contra o machismo. “A nossa força irracional não é pornografia. Nos fazem pensar que o prazer é uma fraqueza feminina. Então, acreditamos que devemos suprimi-lo para sermos realmente mais fortes. Eles e elas sabem que trazer a sensualidade da cama pras nossas vidas nos torna mais seguras. Deitamos mais satisfeitas e levantamos mais poderosas. Imaginem só o que pode acontecer quando uma mulher fortalecida resolver reagir contra toda a opressão. Imaginem só. Gozar na vida me torna uma preta muito perigosa. Gozar na vida me torna uma preta muito perigosa”, diz Dani Nega na música antes de citar várias mulheres. 

O clipe foi gravado no centro de São Paulo e em locais que simbolizam histórias de resistência negra. 

No clipe estão as apresentadoras e minhas parceiras de TV Cultura Roberta Estrela D’Alva e Adriana Couto, as atrizes dos coletivos negros de teatro de SP (Crespos, Clarianas, Capulanas e Coletivo Negro), a colunista Joice Berth, a rapper Preta Rara e a artista Ana Paula Xongani.

O clipe foi dirigido por Day Rodrigues, com fotografia e montagem de Lucas Ogasawara, que são os autores do documentário Mulheres Negras: Projeto de Mundo, importante trabalho sobre o feminismo negro.

Lembro de outro trecho do livro de Lázaro em que Zózimo Bulbul, ator e diretor, aponta para a câmera e diz: “Aquilo é uma arma. Use-a”.

Sou branca e não tenho propriedade para falar sobre racismo, por isso tantas aspas. Estou escutando. Mas posso admirar, e muito, essas mulheres e citar mais uma vez Dani Nega: “Nascemos unidas e fomos separadas no pós-parto porque sabiam do nosso poder juntas”. 

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“Cor da pele é patrimônio, nascer com a pele clara dá aos brancos um patrimônio que nós não temos. Não digo isso porque não sei o valor que temos ou podemos ter, mas porque há um mundo que diz que não valemos tanto assim. Vocês, meus amados amigos brancos, que tanto me amam, precisam saber mais sobre nós, têm que olhar o nosso precipício e a nossa luz. Sim, nós somos iguais, mas também não somos iguais. E vocês precisam assumir esse compromisso de, juntos, encontrarmos um caminho. Não é possível que não haja um caminho!” 

MÚSICA DA SEMANA - FLUTUA

Johnny Hooker lançou o segundo disco, Coração, e a primeira música lançada foi essa com participação da Liniker, um hino ao amor: “Ninguém vai poder, querer nos dizer como amar”. Mil passos pra trás no mundo, mil pra frente na luta por direitos que parecem óbvios. “E baby, amar, amar sem temer.”

 

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