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Som a pino
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Som a Pino: 'Onde anda você?'

Quanto tempo a gente demora pra entender uma obra de arte? Será que tem artista que é tão à frente do seu tempo que a obra demora anos para ser admirada de tão vanguarda que é? Tantos artistas foram criticados no lançamento do disco ou pior (não sei o que é pior) completamente ignorados para décadas depois terem seu trabalho cultuado. O que acontece nesses casos? O tempo é capaz de curar essas injustiças? Em alguns casos o tempo é rei. 

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2016 | 02h00

A VIDA EM SEUS MÉTODOS DIZ CALMA

Roberto de Melo Santos, mais conhecido como Di Melo, músico pernambucano, lá por 1970 mostrou suas músicas no violão para um camarada chamado Jorge Ben, este logo reconheceu o talento do rapaz e passou o cartão de Roberto Colossi, que agenciava artistas como Chico Buarque e Paulinho da Viola. Assim, ele começou a tocar na noite. Alaíde Costa, uma das frequentadoras da plateia e do palco do Jogral (casa de shows da época) viu o tal Roberto e indicou a Moacir Machado da gravadora Odeon. Di Melo, lançou assim em 1975 um disco homônimo pela EMI-Odeon com participações de Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte e faixas como Kilariô, Pernalonga e Se o Mundo Acabasse em Mel. Depois desse disco mais nenhuma notícia do cantor, sumiu, e todos diziam que ele tinha morrido. Anos depois o disco virou um ícone da música brasileira, soul, funk, mas para todos ele não estava mais por aqui. Engano nosso, ele voltou como Di Melo, o Imorrível e lançou neste ano seu segundo disco (segundo lançado mas ele tem uma pilha gigantesca de trabalhos que nunca foram comercializados). Quarenta e um anos se passaram do primeiro trabalho, o disco novo tem direção de Pedro Diniz e uma banda de músicos contemporâneos. O álbum tem participações de B Negão, Larissa Luz, uma música em homenagem ao mestre Baden Powell e uma parceria com Geraldo Vandré. Ainda bem que ele teve calma.

PELAS SOMBRAS

Arthur Verocai é maestro, multi-instrumentista, cantor, compositor. Depois de arranjar músicas para Gal Costa, Elis Regina, Luiz Melodia, e uma lista que jamais caberia nessa coluna, ele lançou em 1972 seu primeiro disco. Quase não vendeu, pouco se falou e o disco caiu num limbo para ser cultuado quase 30 anos depois. Certa vez, conversei com Verocai que me contou que depois do lançamento ficou muito tempo sem ouvir nem falar desse disco, que ele até escondia, pois na época da produção ele achava que estava fazendo um disco bem autêntico, mas o mercado fonográfico não entendeu. Agora imagina, você faz um trabalho achando que é bom e ninguém reconhece. Pois. Ainda bem que o tempo (pelo menos com ele) resolveu ser justo. E agora o maestro se prepara para lançar um novo disco com participações de Criolo, Mano Brown, Seu Jorge e mais um monte de artistas. Pelo Facebook Arthur me contou que o disco vai se chamar No Voo do Urubu. 

SUJEITO DE SORTE

Belchior 

O disco Alucinação recebeu uma péssima crítica na época do lançamento em 1976 “Belchior: o novo só na superfície” e hoje é considerado um grande álbum da música brasileira. E Belchior continua sumido. Sumiu por escolha, talvez ele que seja o sujeito de sorte. 

 

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