Tiago Calazans
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Som a Pino: 'O mundo é assim...'

Romulo Fróes lança novo disco

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 02h00

Na coluna da semana passada, dei várias sugestões de shows para o fim de semana. Olha, não quero me gabar, mas estava correta em todos eles. Elza Soares fez uma estreia catártica do disco Deus É Mulher com participação do grupo Ilú Obá de Min, Maurício Pereira lançou lindamente seu Outono no Sudeste com teatro lotado nos dois dias e a participação dos três filhos: Chico Bernardes, Tim Bernardes e Manu Pereira. Os Pereiradas. E o Cordel do Fogo Encantado voltou! E foi agora e só agora, pós-show, que entendi o que isso quer dizer.

ANTES

Eu lembro da primeira vez que vi a banda Cordel do Fogo Encantado. Eu era muito jovem, estudava em uma escola de playboy, vivia num mundo de aparências, superficial e cinza. Mas, claro, eu não sabia que meu mundo era esse. Não tinha comparação. Mas, no dia em que vi o Cordel no palco, eu, que vivia num mundo careta, achei aquilo muito louco, era muita entrega, fiquei deslumbrada. Não sei descrever o que aconteceu naquele momento.

DEPOIS

Muitos anos depois, na sexta-feira passada, eu fui assistir à volta do Cordel, banda que começou em 1999 e em 2010 anunciou uma pausa. Eu já estou mais adulta (dizem), escolhi um mundo diferente daquele que vivi uma época, mas fiquei outra vez encantada. Agora, vivemos todos num mundo muito louco, tantas questões, problemas, tristezas todos os dias e no palco eu vi coerência, liberdade e um mundo que eu quero para mim. E aí, finalmente, entendi a volta. O mundo mudou demais e posso dizer que passamos uma fase bem puxada, e aí ouvir e ver aquele show me deu muita força. Acredito que para todos os presentes. Afinal, como declamou Lira “tudo passa, mas, nem tudo que passa a gente esquece”.

No meio do show, da plateia alguém gritou o que a maioria estava pensando “que saudades” e Lirinha respondeu “em nome do Cordel eu digo que a saudade é nossa”.

Saudades sim. Mas, o que vivi não foi uma volta no tempo. Lembrei de algo que aprendi quando estudei palhaço (em um circo sem futuro), aprendi que palhaço é ser criança sempre, mas com o conhecimento e a vivência do adulto. E o show foi isso! Que precioso! Todos eles emocionados e juntos com participação de Isadora Melo e tudo afinado em um grande espetáculo: luz, figurino, cenário, projeções. Um showzão! O Cordel voltou.

No final, Lira disse “Esse é o recomeço de vários encontros. Não podemos mais ficar calados” - é isso! Que bom que eles voltaram para falar. Precisamos mais do que nunca falar sem medo. “A nossa sorte é ter coragem.”

LANÇAMENTO

O Disco das Horas

Sexta-feira, dia 8 de junho, o cantor e compositor Romulo Fróes lança em todas as plataformas seu novo trabalho. O disco tem 13 faixas que são 13 horas, da primeira à décima terceira hora. O disco tem produção do Romulo, Thiago França e Cacá Lima. É só esperar por volta de 60 horas para ouvir. 

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