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Som a pino
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Som a pino: 'No bar todo mundo é igual...'

Johnny Hooker é mestre do palco, rainha do baile, cantora e compositora maravilhosa e com repertório de conduzir até um marinheiro de primeira viagem à emoção

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2017 | 02h00

ERA DIA 29 DE JANEIRO. eu saí da piscina e fui ao Sesc Pinheiros para assistir ao show de Johnny Hooker, cantor pernambucano maravilhoso ou cantora pernambucana maravilhosa que salvou meu dia e restaurou minha esperança de um mundo melhor. (Licença poética para o clichê.) 

O disco de estreia tem um dos melhores nomes que eu já vi, Eu Vou Fazer Uma Macumba pra te Amarrar, Maldito, e traz belas e viscerais canções. Se você ainda não conhece, pode correr para ouvir.

 

Antes de entrar no show, ainda na porta, sentei ao lado de um manobrista do Sesc e começamos a conversar, ele me disse: “Fiquei com muita vontade de ver esse show, deve ser rock porque o pessoal saiu elétrico ontem, mas primeiro a obrigação, né?”. Respondi meio em dúvida que sim. Ele me perguntou: “O som parece o quê?”. Engraçado esse nosso modo de identificar o novo por semelhanças né? Respondi: Parece Johnny Hooker, mas se quiser muito posso ver um pouco de Cássia Eller com pitadas de Cazuza. Mas é bem Johnny mesmo. Ele riu, disse que tinha ficado com vontade, mas que ainda achava que primeiro era a obrigação e desceu para o estacionamento. 

Depois, na fila do café, de orelhada na conversa alheia, escuto dois garotos: “Finalmente vou ver o Johnny Hooker”. E o outro: “Já te disse mil vezes que é A Johnny Hooker, você não entende”. E aí veio a resposta: “Tanto faz O ou A, o que importa é que eu amo”.

 

Entrei no show, as pessoas aguardavam alguma coisa do lado do palco e não sentavam em seus lugares. Confesso que não entendi. Mas quando o terceiro sinal tocou todos abandonaram suas cadeiras e correram para a frente do palco onde ficaram ajoelhados. Aguentaram de joelhos menos de cinco segundos do vídeo inicial e levantaram gritando de ansiedade para o início do espetáculo. A plateia sentada começou a gritar “senta, senta, senta” e a plateia em pé começou a gritar “levanta, levanta, levanta” pensei: ixiiii, os lados vão brigar e isso não vai acabar bem. Nisso, a cortina levanta, entra Johnny Hooker e o Sesc inteiro, não importa se em pé ou sentado, se arrepia de amor.

 

Johnny Hooker é mestre do palco, rainha do baile, cantora e compositora maravilhosa e com repertório de conduzir até um marinheiro de primeira viagem à emoção. Fiquei arrepiada o tempo todo. Cantei, dancei, chorei. No meio do show, Johnny solta a macumba pro ano que vai entrar: “2017 será um ano pra resistir a todas as forças retrógradas que estão por aí. 2017, vale mais a resistência”.

 

Enquanto o mundo lá fora dá mil passos pra trás, artistas incríveis dão mil saltos pra frente e com coreô. Tanto faz o ou a, o que importa é que eu amo.

MÚSICA DA SEMANA - O MUNDO QUE SE DESEJA

Leo Cavalcanti

O cantor que tem dois discos lança esta música inédita com duas versões: uma em português e outra em espanhol El Mundo Que se Quisiera. A produção é de Juanito El Cantor e a música foi gravada durante a estada de Leo em Buenos Aires. Posso chamar de uma canção riquíssima.

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