Som a Pino: 'Não joga pedra na Geni'

Eu vejo todos os dias muitas mulheres que me inspiram, que me movem, que me emocionam e, por isso, acho pouco um dia dedicado à mulher

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

09 Março 2017 | 02h00

Dia da Mulher. Foi na última quarta-feira, 8. Um dia dedicado à mulher. Muito importante ter um dia para lembrar da luta, mas mais importante ainda é notar que a luta é diária. Eu vejo todos os dias muitas mulheres que me inspiram, que me movem, que me emocionam e, por isso, acho pouco um dia dedicado à mulher. Um mês não daria. Um ano também não. Uma vida tampouco, são muitas vidas. Muitas vidas que lutam. A quinta-feira, 8, foi um dia dessas muitas lutas.

RESPEITA AS MINAS

Para mim, dia da mulher é ver Karina Buhr girando o microfone e apavorando no palco como ela faz, é ouvir a voz da Juçara Marçal com aquela marca vocal que só ela tem, é Elis Regina e seu helicóptero emocionando tanta gente, é Rita Lee escrevendo uma autobiografia que deixa muito marmanjo boquiaberto, é Tiê virando hit absoluto em tudo quanto é rádio com A Noite, é Raquel Virgínia e Assucena Assucena (da banda As Bahias e a Cozinha Mineira) lavando a alma (delas e nossa) no palco, é Tássia Reis linda elevando o agudo dela ao infinito “Eu tentei falar baixinho mas ninguém me ouviu, eu tentei com carinho e o sistema me agrediu, então eu grito”, é Mahmundi do backstage, quando trabalhava de técnica de som para o palco com um dos discos de 2016; e falando em sucesso em 2016 é também a Céu, maravilhosa, com aquela voz, aquelas composições (suspiros), é Anelis Assumpção moleca, poeta, danada, forte, divide o palco, cede espaço e ainda assim continua o centro, é Maria Alcina confete e serpentina, é Wanderléa ternura e poder, é Nara Leão com seu banquinho, joelhos e franjinha no meio daquela turma toda, é Maria Bethânia descalça e com dedo levantado recitando poesias, é a língua de Alessandra Leão, a voz de Ná Ozzetti nossa musa da música, Mariana Aydar entregue, intensa, belíssima, é Liniker impedindo um mundo cada vez mais careta de jogar pedra na Geni, é Blubell pois Diva É a mãe, é Barbara Eugênia pelada no palco, vestida no palco, no palco, é Camila Garófalo juntando as mulheres para o Festival Sêla, é Elza Soares a mulher do começo, do meio e do fim do mundo, é a paraense Luê loira selvagem com seu violino, é Silvanny Sivuca fazendo percussão para o Emicida, é Karol Conka tombando geral, é Letícia Novaes em noite de climão, é Tetê Espíndola e o seu canto dos pássaros, é Alzira E (que família) e tem mais ainda Luz Marina, Iara Rennó, é Gal fatal, total, é Ava Rocha e o cocar de facas, é Paula Lima quente, linda, amor, é o cabelo roxo de Baby do Brasil, é Veronica de Fortaleza decidindo morrer, é Andreia Dias qualquer volume, é Tulipa Ruiz efêmera e tão eterna, é Maria Gadú cantando Trovoa, é Duda Brack subindo na bateria, é Suzana Salles nossa rainha do carnaval, é Fafá de Belém e o sorriso que ninguém mais tem, é Mallu Magalhães ficando velha e louca, é Paula Tesser e o lindo disco que todo mundo deveria ouvir Valha, é Alice Caymmi, nossa Rainha dos Raios, é Xênia França deusa, é Maria Beraldo Bastos e seus vídeos internéticos, é Luisa Maita e sua presença de palco, é o piano de Cida Moreira, é Marina Lima quando chega o verão, Laura Lavieri solo ou não e tantas outras mulheres que não cabem nos meus toques. E nem nos meus dias. Todo dia eu luto. Todo dia elas lutam. 

CURUMIN 

Em maio, o Natura Musical lança o esperado quarto disco do cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista paulistano Curumin. Aqui, em primeira mão, o nome do disco: Boca. Produzido por ele, Lucas Martins e Zé Nigro, Boca tem arte assinada por Ava Rocha. Não vejo a hora de ouvir. 

 

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