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Som a pino
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Som a pino: 'Música serve pra isso'

O que te inspira? O que uma música precisa ter para marcar uma vida? O que a vida precisa ter para ganhar uma trilha?

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2016 | 02h00

NO RADINHO

Já ouvi histórias de músicas (talvez inventadas ou não) e já criei minhas próprias histórias dessas músicas. Um amigo meu compositor me disse uma vez “é difícil compor e ter uma namorada, às vezes você fala de uma história intensa, louca e ela tem ciúmes”. Imagino. Falamos de Caetano, de Chico, quantas histórias... pouco importa se criadas ou vividas. Não dá para ter ciúmes disso, “amores serão sempre amáveis”. Um compositor fala da sua aldeia e aí falará do mundo. A história dele vira a nossa.

Uma menina brilhante me escreveu, um dia, contando a história do pai que sofreu uma doença que afetou a memória, cognição, comportamento e, obviamente, mudou a vida deles. Ela mora sozinha com ele e com isso passou a ser responsável pelas coisas mais básicas do dia a dia dele. Ela começou a preparar a comida, enquanto ele fazia exercícios de reabilitação ouvindo o meu programa na Rádio Eldorado de mesmo nome dessa coluna. Um dia, ela teve uma reunião de trabalho e não estava em casa meio-dia e a pessoa que estava com ele ligou para ela para saber o que era Som a Pino, pois o pai não parava de falar que queria ouvir. No depoimento dela: “Ele não tem lembrado das coisas mais básicas, mas o programa ele gravou e sentiu falta!”. Lágrimas com tão lindo depoimento. Música tem esse poder.

 

AS MÚSICAS DE 2016

Das grandes músicas de 2016 fico pensando em suas histórias. A Varanda Suspensa da Céu: a música da casa de praia do avô dela que será de muitas férias de verão por aí, Duas Cidades de Baiana System: a separação da cidade alta e cidade baixa de Salvador, que talvez seja cantada como a divisão política de 2016, o Hit de Mahmundi, entoará outras paixões, O Tempo e o Vento de Arthur Verocai, fala da trajetória dele a princípio e será cantada como muitas outras. Uma história inspira uma canção, uma invenção inspira também uma canção. O que te inspira? O que uma música precisa ter para marcar uma vida? O que a vida precisa ter para ganhar uma trilha?

Eu me lembro de algumas, lembro de cantar com meu pai Um Dia de Domingo, ele fazia o Tim Maia e eu a Gal Costa, lembro dos meus amigos palhaços quando escuto Você Não me Ensinou a te Esquecer, lembro do início do meu namoro quando escuto Janta do Marcelo Camelo, lembro das férias de verão de 1999, quando escuto Relicário. E não importa onde estiver eu vou lembrar, e vou direto para o prédio que morava quando pequena, para o curso do Palhaço Claudio Thebas, para a pizzaria do meu primeiro encontro ou para Ilha Grande. Chego lá ainda no começo da canção. Muitas emoções. “São tantas já vividas, são momentos que eu não me esqueci, detalhes de uma vida.”

CANÇÃO E SILÊNCIO

Zé Manoel

Zé Manoel

Cantor, compositor e pianista nascido em Petrolina. Essa música dá nome ao disco lançado em 2015. Essa música já foi gravada por Filipe Catto e Ana Carolina. Recentemente, foi lançado um disco só com composições dele - Delírio de Um Romance a Céu Aberto, pelo selo Joia Moderna.

 

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