Som a Pino: ‘Mistério sempre há de pintar...’
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Som a Pino: ‘Mistério sempre há de pintar...’

Todo mundo o tempo todo sabe tudo o que estamos fazendo.

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2017 | 03h01

Todo mundo o tempo todo sabe tudo o que estamos fazendo. Nós sabemos o tempo todo o que todos estão fazendo. Somos nossos próprios paparazzi. Tudo que está por vir é anunciado a todo instante. Nada nos surpreende. Tudo é tão, mas tão anunciado que quando  alguém lança disco sem avisar é um case de negócio (case = palavra inglês, se quiser pode ser case de casamento). Refiro-me aqui ao single Game lançado pela cantora e compositora Tulipa Ruiz na semana passada, antecedendo seu novo e não anunciado disco TU. Foi assim, de supetão. Pelo menos para nós! Na sexta-feira TU estará conosco. 

Vem! 

TU

Tu é a forma carinhosa que eu uso para chamar a cantora e compositora Tulipa Ruiz. Sempre usei meio envergonhada, por não saber se é um apelido que a agrada. Agora vou usar com mais confiança. 

Tu é segunda pessoa, o outro, o que não sou eu, algo esquecido e deixado de lado cada vez mais nesse nosso mundo chamado 2017. 

Tu pra ela, é two, são os dois irmãos, parceiros de vida e obra, Gustavo Ruiz, sempre eles criando juntos, ele é produtor do Efêmera (disco de estreia da cantora), do segundo disco Tudo Tanto, do terceiro Dancê e do TU, agora não mais solo. Mas o disco começou numa turnê dos dois voz e violão. Tu é produzido também por Stephane San Juan, músico francês que vive entre Brasil e EUA, Francês de nascimento pois o som dele é do mundo. Tu é, portanto dois produtores. 

Tu para ela é to, é para, é dar. Tudo acelerado, tudo sendo televisionado o tempo todo em nossas redes e ela apenas anuncia o lançamento de surpresa, sem processo para nós, em duas semanas, cá está o disco. Está chegando. É sexta feira. Um amigo jornalista me mandou uma mensagem “tu sabia desse disco da Tulipa?” Não. Também fui surpreendida como tu.  

 

NUDE

O ponto de partida era um disco só de releituras e os dois irmãos partiram para Nova York com essa ideia na cabeça, mas no processo surgiram novas músicas e o disco TU deixou de ser só o que já era e continuaria sendo e passou a ser o que será também. Um disco com metade de inéditas e metade releituras, vou contar uma. Não sei se a Tu vai ficar brava comigo, mas não contarei as outras, você descobre na sexta.

O disco é cru, é "nude" como ela nos conta e nude tem assustado muita gente. Brincadeiras à parte, o disco pinta assim cru, livre como Pedrinho (isso, aquele nosso velho conhecido que chegava descalço e fazia da vida o que sempre sonhou), lembra dele? Essa é uma canção do primeiro trabalho que volta e tem mais 3 conhecidas nossas, que voltam diferente. Como voltar igual depois de anos tão intensos? Impossível. 

TU se aproxima. 

TU vem nu. 

TU é dois, três, mais. 

TU é TUlipa

“Tudo não passa de um ponto de vista.”

Música da Semana

'Te Amo Disgraça'

Faixa do disco Esú do rapper baiano Baco Exu do Blues, que começou a rimar nas batalhas do rap em Salvador. 

Na capa, o nome Jesus cortado vira o nome do disco, um proposital jogo de palavras entre Jesus e Exú. 

Caos, religião, batida, morte, literatura. Escolhi essa faixa mas indico o disco todo, para ouvir "gritando que a cidade é nossa"

 

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