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Som a Pino: 'Mas eu não sei negociar...'

São muitas as maneiras de gravar um disco hoje

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2016 | 02h00

Falamos muito do fim das gravadoras, mas elas não acabaram e continuam fortes no que se propõem a fazer. O que tem de diferente é que hoje não temos mais o monopólio delas. Cada um lança, grava, e junta dinheiro para fazer o disco de um jeito. Não temos mais um mercado da música e um caminho único a seguir. Temos muitos mercados e diversos caminhos. Cada artista escolhe ou até inventa o seu modo de lançar e arca com as consequências e custos disso. 

'EU SEI NO MÁXIMO TOCAR MEU TAMBORZINHO E OLHE LÁ'

São muitas as maneiras de gravar um disco hoje - falando só financeiramente. Tem aquele modo bem famoso, que é investir o seu próprio dinheiro no que será seu cartão de visitas (muito provavelmente, se tudo der... como dá pra todo mundo esse dinheiro não retornará das vendas de CD), tem o modo gravar em casa com amigos e colocar só na internet - podemos chamar de brodagem? Outro modo muitíssimo usado nos último anos é o financiamento coletivo. Alguns dizem que preferem não pedir dinheiro para o público, mas não é pedir dinheiro, é uma pré-venda, você compra o disco antes de este existir. Já vi casos bem criativos de recompensas: colagens manuais, piqueniques, shows acústicos, serenatas, jantares feitos por um dos integrantes da banda e ainda ingressos para os shows de lançamento, convites para audição antes do disco chegar às lojas (que lojas?). Hoje, temos financiamentos coletivos demais o que enfraqueceu um pouco o método, a não ser que você seja bem criativo. E, aí, vale tudo. 

Um modo que foi bem polêmico neste ano são as leis de incentivo. Empresas apoiam projetos com isenção total ou parcial de impostos. As leis foram um tema na berlinda em 2016 dentro da divisão política. São perfeitas? De jeito nenhum. Mas também não são um caminho fácil como disseram, muito menos uma “mamata”. Os projetos aprovados em lei de incentivo precisam ser captados, o que é muito difícil. E, se conseguirem, tem uma complexa prestação de contas e contrapartidas a cumprir. 

MODO AVIÃO

Falando em como lançar, na semana passada foram anunciados os contemplados do edital Natura Musical para o ano de 2017 (um dos, senão o mais concorrido dos editais). Foram 25 selecionados. Dentre as novidades que podemos aguardar: Hermeto Pascoal e Big Band, Anelis Assumpção, Nina Becker, Johnny Hooker, Luê e Lucas Santtana.

Lucas foi contemplado pelo edital para lançar um novo trabalho previsto para o primeiro semestre de 2017. O disco é um audiofilme cujo nome é Modo Avião com um texto assinado por João Paulo Cuenca e o próprio cantor e músicas de Lucas.

 

Este será o sétimo disco dele. O anterior, Sobre Noites e Dias, foi lançado por financiamento coletivo; mas Lucas já teve gravadora no primeiro disco, já bancou do próprio bolso, já lançou com um blog/gravadora, “sendo que este foi um dos primeiros discos que o próprio autor colocou para as pessoas baixarem não só o disco, mas as tracks de cada música e elas faziam remixes das faixas que eram postadas no blog”. Ou seja, o que se conta é como se conta. E na música a criação ultrapassa o disco. 

FOI NUM BAILE BLACK 

Mano Brown

Faixa do disco solo Boogie Naipe, que não para de tocar aqui no radinho desde o lançamento. Essa é uma parceria de Mano Brown, Dexter e Hyldon, grande compositor de hits como Na Rua, na Chuva, na Fazenda e As Dores do Mundo que participa da gravação junto com Lino Krizz.

 

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