Imagem Roberta Martinelli
Colunista
Roberta Martinelli
Som a pino
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Som a Pino: 'Eu quero é botar meu bloco na rua...'

Bonito de ver a festa de São Paulo crescer

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2017 | 02h00

Carnaval tá chegando ou já chegou? Bonito de ver a festa de São Paulo crescer. Muitos blocos ocupando as ruas de uma cidade que é nossa e que, assim lindamente ocupada, fica mais nossa ainda. É carnaval, é folia, é respeito, cidadania, cuidado com as mulheres que dizem não, cuidado com as que dizem sim, é chuva, suor, cerveja. Tudo pode ser, desde que tenhamos respeito pelo outro. São Paulo entrou no mapa do carnaval e deixou de ser o túmulo do samba.

E COMEÇO ENTÃO, contando um pouco do prólogo desse ótimo livro de Lira Neto, jornalista e escritor, Uma história do Samba, Volume 1 (As Origens) lançado esta semana pela Companhia das Letras. Heitor Villa-Lobos chama Zé Espinguela, conhecido nas rodas de samba dos subúrbios cariocas para tentar ressuscitar o desfile dos cordões carnavalescos, que tinham sido banidos, pois eram incompatíveis com o projeto político higienista e civilizatório. Isso há muito tempo. E assim, Villa-Lobos propõe a criação do bloco Sodade do Cordão, escrito assim mesmo.

No início do livro, é retratada a luta para conquistar as ruas com o cordão e uma fala alegre de Villa-Lobos: “Consegui o meu objetivo: mostrei que o carnaval não é uma festa de loucos, mas sim uma das mais sadias manifestações populares”. Bem curioso pensar que essa discussão continua até hoje. Ainda bem que com vários blocos na rua. E lotados. O livro é o primeiro de uma trilogia, as origens, “desde que o samba é samba”.

E TEM BAILE TAMBÉM,

alguns estão programados no carnaval de São Paulo no Largo da Batata, um deles é no sábado, dia 25 de fevereiro: Tulipa Ruiz com convidadas como Céu, Anelis Assumpção e Tássia Reis, que aproveitaram a festa para chamar atenção para um outro assunto, da maior importância: o acervo de Elke Maravilha. Elke, morreu no ano passado aos 71 anos de idade e deixou um acervo enorme no Rio de Janeiro. Você pode imaginar só de lembrar as belezuras que ela vestia, não é? E para conseguir trazer tudo para São Paulo, restaurar e cuidar da história dessa nossa musa (posso chamar de nossa?), Maurilio Domiciano (que foi produtor da Elke) e Frederico Grunnupp (irmão) se juntaram e montaram uma pequena exposição (são apenas oito looks expostos) e um bazar de vendas para arrecadar dinheiro para conseguir criar uma estrutura para um futuro instituto. “Muitos alunos de moda, filosofia, arte procuravam a Elke para seus estudos, queremos muito que isso continue”, disse o produtor Maurilio. Elke foi e sempre será uma figura muito importante e qualquer ajuda é fundamental para manter sua memória viva. 

O bazar e exposição acontecem em São Paulo, na Rua Frei Caneca, 121. E fica aqui minha indignação também, pois na minha cabeça (inocente, talvez) a memória dessa mulher seria facilmente preservada, mas parece que há luta pós-morte. 

MÚSICA DA SEMANA

MARISA MONTE - GENTILEZA

Domingo teve desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta e a cidade ganhou um presente da artista Rita Wainer que pintou a lateral de um prédio. No momento que o trio passou por lá, Tiê cantou Gentileza, acenderam tudo e pintaram bem colorido. Foi lindo de ver. A cidade é nossa!

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.