Video Filmes
Video Filmes
Imagem Roberta Martinelli
Colunista
Roberta Martinelli
Som a pino
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Som a Pino: 'Era um, era dois, era cem...'

O Centro Cultural São Paulo preparou uma série Invenção 67 - O ano Que Mudou Tudo com atividades até o fim de junho.

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 02h00

O ano era 1967. O Brasil tinha passado por um golpe militar em 1964, que tirou o governo de João Goulart. As coisas não estavam fáceis, mas ainda iam piorar e muito. Naquela época, os programas musicais eram a grande onda na televisão. E que onda! Os festivais lotavam os teatros. 

Ainda falamos demais desse período e muitas vezes escuto a reclamação “por que falar tanto do que já passou?” até concordo. Mas quando falamos do passado estamos também falando de hoje. Essa frase é um clichê, eu sei, mas real. 

O Centro Cultural São Paulo preparou uma série Invenção 67 - O ano Que Mudou Tudo com atividades até o fim de junho. Na programação, uma volta no tempo: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Cem Anos de Solidão, Terra em Transe, e tantas outras obras. Será isso realmente uma volta? Talvez a gente ainda fale tanto desse ano porque essas obras ainda tenham muito a nos dizer.

Participei do debate com o jornalista Ricardo Alexandre sobre o filme Uma Noite em 67, dirigido por Renato Guerra e Ricardo Calil. Ao assistir àquela plateia tão envolvida com a música, numa torcida tão acalorada, fiquei pensando nas relações com nossos dias.

Naquele tempo, a televisão era benefício de uma elite, o festival era competitivo e o Brasil passava por uma ditadura (ainda ia piorar), então a música era essa voz de escape de muita tensão. Era época das patrulhas, vaiar o Sérgio Ricardo com sua música Beto Bom de Bola até ele perder a cabeça, quebrar o violão e jogar na plateia era uma maneira de extravasar a repressão que o Brasil passava, já cantava Chico Buarque “a gente quer ter voz ativa” em Roda Viva, música que estava entre as concorrentes naquela noite, ao lado de Alegria, Alegria e Domingo no Parque. 

Mas a grande vencedora da noite foi Ponteio, de Edu Lobo e Capinan, “olhei pro mundo e nem via nem sombra nem sol nem vento”. 50 anos depois, a música leva muita gente para o Largo da Batata, em São Paulo, para repetir um slogan de outros tempos: Diretas Já. Eu vejo pessoas por todos os lados, entoando novos hinos “convoque seu buda o clima tá tenso”, “seu jogo é sujo e eu não me encaixo” de Criolo, Racionais, Emicida, Tulipa e tantos outros artistas que se reuniram para pedir de volta o voto.

 

Muita gente critica os artistas por se envolverem politicamente, e parecem ecoar outro texto que ficou emblemático em 1967: “Vocês escritores, artistas, precisam ser mantidos pela sociedade na mais dura e permanente miséria para servirem como bons lacaios obedientes e prestimosos. É a vossa função social”.

Modo Avião 

Lucas Santtana lançou o audiofilme Modo Avião, disco e livro. N0 audiofilme participações das atrizes Maria Manoella, Mariana Lima, Patrícia Pillar, Georgette Fadel, Carolina Bianchi e do ator Aury Porto. O livro tem ilustração de Rafael Coutinho e texto do próprio Lucas e João Paulo Cuenca. Era o Teatro Oficina resgatando O Rei da Vela, de Oswald de Andrade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.