Som a Pino: ‘E se fosse pra ter medo dessa estrada...’

South by Southwest é um festival que chega agora na 31º edição e acontece em Austin, nos EUA, este ano com nove brasileiros

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

02 Março 2017 | 02h00

As gravadoras não têm mais a força que já tiveram. Foi uma mudança e tanto no mundo da música, mas sobrevivemos. Inventamos novos modos de gravar, lançar, divulgar. Não existe um caminho, são vários e cada um faz o seu (tipo a vida). Parece um oásis de ler, não? Um mercado assim tão livre. Por um lado é, sem dúvida, não tem um cara que seleciona, todos podem fazer. Mas por outro lado é difícil fazer o dinheiro circular, arrecadar até para produzir, ganhar, então...

SXSW

Já ouviu falar? South by Southwest é um festival que chega agora na 31º edição e acontece em Austin, nos EUA. É um evento muito importante de música, cinema e mídias interativas. No festival já passaram artistas como Johnny Cash, em 94 (queria tanto ter ido), os Hanson (aqueles mesmo do mmmbop) foram “descobertos” por uma grande gravadora em um show lá; The Strokes, Amy Winehouse, e também alguns brasileiros: Tiê, Emicida, Apanhador Só, Silva e outros mais. 

O festival funciona assim: são vários inscritos do mundo todo e são selecionadas algumas bandas. Esse ano são nove brasileiros: Boogarins (GO), Autoramas (RJ) , Max de Castro (SP), Lista de Lily (DF), ToTi (SP), Capela (SP), FingerFingerrr (SP), Liniker e os Caramelows (SP) e Maglore (BA). 

A banda é selecionada, mas o festival não cobre as despesas como passagens aéreas, visto e montagem de palco e o custo fica altíssimo. Como fazer? Lembro de uma vez em que entrevistei o cantor e compositor Maurício Pereira e ele me disse que com 30 anos de estrada nunca tinha tocado com seu trabalho solo no Rio de Janeiro, pois nunca rolava cachê e ele achava que não era legal ir para voltar com prejuízo, mas com o tempo esse pensamento mudou “eu acho que eu marquei toca, mesmo que seja bancar, é um investimento, vou gastar uma grana e fazer um bom show no Rio”. Em 2014 ele fez então sua estreia, carreira solo, no Rio (e provavelmente não ganhou para isso). Se é assim que tem que ser? Não! Mas é assim que é. 

Agora vou para o caso do SXSW. No começo do ano, Teago Oliveira vocalista da Maglore, banda baiana que lançou um dos melhores discos de 2015, III, postou no facebook a seguinte frase: “Fomos chamados pra tocar no SXSW. Nos EUA, eles não pagam nada. Vocês que já foram, acham que vale a pena?“ Foram várias as respostas para o sim e para o não de amigos que já tocaram lá. Eles então decidiram ir. Mas como? Está no ar uma campanha de financiamento coletivo para que a banda consiga o dinheiro. Não é dar dinheiro, é comprar produtos e com isso ajudar a viabilizar um passo importante na carreira deles. Para contribuir o site é www.embolacha.com.br/projects/maglore/ e dentre as recompensas estão pôster celebrando a ida da banda, disco autografado, cartão postal de lá e ainda show acústico ou completo. Tudo isso para viabilizar a ida E o cachê deles? Qual cachê? 

Isso é uma maneira de chegar em Austin para realizar um show e já acho um bom caminho. Agora, e o salário da banda? Ainda precisamos e muito conversar sobre isso. E ainda tem quem diga que artista é vagabundo. Não pode, né?

MÚSICA DA SEMANA

O carnaval acabou. Thiago França lançou o EP Chão Molhado da Roça. A foto da capa é da Banda Santa Cecília, de Itabirito, Minas Gerais, cujo maestro era Joaquim França, bisavô do Thiago. Viva o Carnaval e a catarse proporcionada. Precisávamos.

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