DARYAN DORNELLES
DARYAN DORNELLES

Som a Pino: 'Deus é Mulher...'

Elza Soares prepara o disco sucessor de 'A Mulher do Fim do Mundo'

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

06 Março 2018 | 02h00

Sou a mais velha numa família com mais dois irmãos. Quando eu era pequena, não gostava de brincar de boneca, provavelmente porque meus irmãos não brincavam comigo. Na adolescência, os namorados das minhas amigas me chamavam de Betão, pois eu era tipo um amigo para eles. Sempre fui considerada muito masculina, talvez pela voz grave, talvez pelo jeito de moleca (como se menina não pudesse...). Todos os moleques me falavam “a Rô é demais, é como um amigo homem” e eu, por muito tempo achava que isso era um elogio. Que horror! Demorei muito para sacar que o machismo também estava em mim. Ser demais como um homem é uma frase que espero nunca mais ouvir. Espero que não seja dita! 

ELAS/NÓS 

E foi na música que eu entendi a força das diferentes mulheres, e através delas reconheci a minha própria. 

Lembro do que senti quando vi a banda Dona Zica pela primeira vez – uma banda que era composta por Anelis Assumpção, Iara Rennó e a Andreia Dias –, achei-as tão potentes, seguras, lindas que um portal novo se abriu. Lembro também de um momento que não vi ao vivo, mas tem um vídeo no YouTube da Gal Costa cantando Da Maior Importância – ali eu entendi o que é sensualidade, o que é beleza, fora a canção de Caetano que é um escândalo. Nara Leão, nunca vi, mas faz parte do meu imaginário ela no meio daquela turma da bossa nova, no apartamento dela no Rio. Luedji Luna, uma cantora intensa e com o pé firme no chão, quem já viu no palco sabe do que estou falando. Anitta, empresária, hit atrás de hit, vai malandra! A Céu e a voz e cada disco que nos surpreende mais. E a Liniker, essa força, talento gigante e aula de palco. E Pitty que toma a cena e os olhares todos pra ela... E Ná Ozzeti com a voz impecável e a verdade no palco. E tantas outras...

ELA/ELZA 

E tem uma mulher que não falei ainda, mas que, claro, tem que estar em qualquer exemplo de mulher e música e palco que é Elza Soares que se prepara para lançar o disco Deus É Mulher – o sucessor de A Mulher do Fim do Mundo, com produção de Guilherme Kastrup e coprodução de Marcelo Cabral. Kiko Dinucci, Romulo Fróes e Rodrigo Campos.

O disco, que será lançado em maio, contará com a participação especial do grupo Ilú Oba de Min, uma associação paulistana de educação, cultura e arte negra que trabalha com as culturas de matriz africana e afro-brasileira e a mulher. O bloco gravou percussão e vozes em duas músicas do novo disco Dentro de Cada Um e Banho. A música Dentro de Cada Um tem arranjo de base regido por Beth Belli e a Banho é composição da cantautora Tulipa Ruiz. 

“As meninas do Ilú fazem um trabalho lindo. Esse disco novo precisava delas. Mulheres, negras, que cuidam da memória da nossa ascendência africana, dos nossos costumes. Sinto que ao convidá-las eu completei o disco e fiz justiça. As duas músicas que elas gravaram são especiais para mim. Pois é, estou feliz, cara”, diz Elza. 

Se você está, nós estamos muito felizes, Elza!

MÚSICA DA SEMANA

Tônia Carrero

Minha música da semana não é uma música, não sei escolher qual seria para homenageá-la. Mas, numa coluna na semana de 8 de março, Dia Internacional da Mulher, na semana que ela nos deixou, eu não consegui pensar em mais nada. 

A música da semana é o som dos aplausos em um teatro bem cheio no fim de um lindo espetáculo. Clap clap clap. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.