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Som a Pino: 'Cantava aqui, estava aqui, cadê o pessoal...'

Em música, as temporadas foram ficando raras. Raríssimas

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2017 | 02h00

Quando eu era mais nova, sempre ouvia pessoas falando “antigamente as temporadas no teatro eram de quarta a domingo” e isso sem precisar ir muito lá trás. Depois, elas diminuíram e passaram a ser de sexta a domingo. Hoje, temos até temporadas uma vez por semana. Isso no teatro. Em música, as temporadas foram ficando raras. Raríssimas. O que aconteceu? Onde está o público? Por que a redução da temporada e, ainda assim, a dificuldade de encher um teatro?

SEI QUE MUITA GENTE

não vai ao teatro. Não vai porque não gosta. Não gosta porque quase não foi e não é possível que alguém goste de algo que não conhece. O teatro que chega ao grande público é um teatro comercial, muito diferente do teatro que acontece em tantos espaços da cidade. Em contrapartida, musicais enlatados vindos da gringa têm salas lotadas a preços altíssimos. São mil os motivos, mas para mim todos incompreensíveis. Isso no teatro.

 

Na música, as temporadas sumiram da programação. Um artista faz dois shows seguidos e depois batalha lugar para se apresentar mais. Quem sai perdendo? Acho que nós todos. Público: que se não pode no dia, perde a chance de ver o espetáculo completo, que só será apresentado sabe-se lá quando o artista conseguir outro cachê como aquele. Artista: quando você tem uma temporada de shows, o tempo para você entender a própria obra enriquece o trabalho.

A boa-nova é que 2017 começou com teatros abrindo temporadas de shows. O Teatro Viradalata abriu o ano com uma temporada da Ana Cañas em novo formato, acompanhada por Fábio Sá e direção do Marcus Preto. Fui na estreia, uma chuva fortíssima derrubou a luz, ela se saiu muito bem e improvisou uma música acústica sentada na beira do palco, mas não foi como previsto, imagina se fosse só um? Ano passado, André Abujamra fez uma temporada do show do seu disco mais recente O Homem Bruxa no mesmo teatro. O Teatro do Centro da Terra também vai ser reinaugurado com um formato legal de temporada.

 

Que seja o início de uma nova era em que o público valorize mais a cultura. Aliás, tenho lido tantas barbaridades em comentários na internet sobre arte que, às vezes, tenho a impressão que estamos mais antigamente do que antigamente. Congelados.

E OUTRA BOA-NOVA 

Tivemos na noite de ontem um motivo para comemorar de coração aberto a chegada do Palacete Teresa, um belo espaço para shows no centro da cidade.

Tudo começou na Casa de Francisca, a menor casa de shows com o maior respeito que eu já vi pela música brasileira. Nesse lugar, toda vez que eu ia (e fui muitas, ainda bem) eu saía encantada com o cuidado de todos: donos, garçons, ajudantes, hostess... Nem sei se é possível dividir as funções, pois pra mim aquele lugar era de todos eles - tamanho empenho e dedicação. 

E agora chega Teresa, um novo lugar, maior, no centro, mas com o mesmo respeito e amor de toda equipe. Só tenho a desejar uma longa trajetória e sei que de caminho bonito eles entendem, pois já trilharam uma vez. Viva São Paulo, viva o centro da cidade, viva a música, viva! Conheçam o Palacete Teresa, de verdade. E depois me escrevam contando.

MÚSICA DA SEMANA

UMA HORA DA MANHÃ

Kiko Dinucci

Faixa do disco Cortes Curtos, lançado esta semana. A música surgiu de uma briga que o compositor viu no supermercado na época 24 horas, o cara estava destratando a mulher porque ela era nordestina e ela começou a gritar “seu veado”. Xenofobia versus homofobia. 

 

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