Som a Pino: 'Cantar era buscar o caminho...'

Me emociona demais ver um artista ser homenageado em vida

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

28 Março 2017 | 02h00

Um país que não valoriza os seus. A cultura cada vez mais colocada como acessório. Artistas que dedicam uma vida à obra e com isso criam a identidade de nosso país e ainda assim seguem lutando sempre: por condições de trabalho, por verbas públicas, por respeito. Nesse contexto, que infelizmente é o nosso, me emociona demais ver um artista ser homenageado em vida, podendo contar a sua trajetória para os mais novos que não viveram na época e revivendo momentos para os mais velhos. Eu sou grata aos nossos artistas. 

“Conhecendo meu passado, meu presente e imaginando meu futuro eu nunca faria essa homenagem para mim”, brinca Mário Manga logo no começo do show que reviveu parte de sua história musical no Sesc Pompeia, no fim de semana passado. Ele conta que a ideia foi da curadoria do Sesc junto com o diretor do show, Carlos Careqa, e contou com as participações do Premê, Black Tie, Osvaldo Fagnani, Tuco Marcondes, Ana Deriggi, Danilo Moraes, Adriano Busko, Arrigo Barnabé, Ivan Lins, Mariana Aydar e os outros quatro filhos (Catarina, Caetano, Francisco e Eduardo). 

Na fileira da frente, uma moça cochicha no ouvido da amiga: “Quanta história no palco”. Sim. E que privilégio nosso ver essa história e que alegria para um artista poder estar presente no show de sua vida. Manga até brinca: “Que bom estar vivo na minha própria homenagem”.

Muitas fãs do Premeditando o Breque na plateia, contando para a filha de Manga, Mariana Aydar, como a viram crescer: “Eu criei o fã-clube do Premê”, conta orgulhosa uma mulher. E Mariana agradecendo por estar no palco com esses artistas que são parte de sua formação musical.

 

Arrigo Barnabé narra o primeiro encontro dos dois na faculdade, Manga descreve Arrigo com um hippie de boné, que estava discutindo com o maestro, compositor e professor Olivier Toni (que, aliás, morreu no fim de semana) e falando para ele ouvir Janis Joplin. Os dois riem das polêmicas que tinham com o professor e prestam homenagem do jeito que só eles fazem. 

No final, Manga mais uma vez sorrindo fala que inspirado nos dois filhos de Francisco, compôs especialmente para o show Os Cinco Filhos de Mário e todos os filhos vão cantar juntos. Na descida do palco, o mais novo reclama: “Amanhã, tenho que acordar às 7 da manhã”, enquanto a plateia fica emocionada com arte e vida no palco. 

Mariana diz: “Eu sei que sou suspeita, mas acho que meu pai merece muito essa homenagem”. Todos na plateia concordam. O pai de Mariana Aydar (como ele mesmo diz que é conhecido hoje) e tantos outros artistas nossos. Merecem homenagem em vida. 

MÚSICA DA SEMANA

Não vou te deixar sair

Marcelle é cantora e compositora de Sergipe, residente em São Paulo. Lançou recentemente o segundo disco, Equivocada, com produção de Dustan Gallas. Foi difícil escolher uma música, mas essa está no repeat aqui. A composição da canção é de Marcelle, Dustan, Zé Nigro e Samuel Fraga com participação de Anelis Assumpção. Se eu fosse você procurava o disco todo já. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.