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Roberta Martinelli
Som a pino
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Som a pino: 'Apesar de você'

Não consigo entender o tamanho do abismo entre o dito mainstream e o dito independente. O artista superpopular: aquele que toca em todas as rádios, está nos canais de TV, aquele que todo mundo canta não ganha prêmios de crítica e não sai no jornal e aquele artista que sai no jornal e ganha tantos prêmios toca em poucas rádios e não está nos programas de massa. Existe o meio do caminho? Alguém sabe onde fica? Quem chegar primeiro avisa. 

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2016 | 03h00

PRESENTE DE 70 ANOS

Parece que foi Zé Miguel Wisnik que disse que Antonio Cícero é o único caso no mundo de um filósofo que tem a sua obra tocada no rádio quase diariamente. Sim, esse grande compositor é o responsável por tantas letras que você canta: O Último Romântico, Inverno, Fullgás, e mais, muito mais.

O cantor paraense Arthur Nogueira lançou Presente pelo selo Joia Moderna (do DJ Zé Pedro) terceiro disco da carreira dele em homenagem aos 70 anos do grande compositor e poeta que ele tanto admira e que agora pode chamar de parceiro (eles têm algumas composições juntos: duas no disco recém-lançado).

Perguntei para Cícero sobre esse abismo entre o popular e o independente e a resposta dele foi essa: “Quem me ensinou muito sobre esse assunto foi Caetano Veloso, porque eu, quando era bem mais jovem, era muito influenciado pelo meu pai, um grande intelectual, ficava ouvindo as conversas dele com os amigos inteligentíssimos, e essas pessoas tinham um certo desprezo pela cultura pop, e eu jovem também tinha, olha que loucura. A primeira coisa que eu notei que era extraordinário e veio do mundo pop foi o Bob Dylan, em 66, meu irmão me mostrou e eu disse: é um grande poeta, mas isso não abriu minha cabeça pra todo pop, achei que aquilo era uma exceção e um amigo me disse de Caetano Veloso e eu fui pra Londres e conheci Caetano que misturava essas coisas todas sem o menor problema. Tem coisas geniais no mundo pop e tem muita besteira no mundo erudito.” 

E eu vou discordar?

SE ASSOPRAR POSSO ACENDER DE NOVO

É o nome do disco que será lançado em homenagem a Adoniran Barbosa. Essa história começa com um curta-metragem chamado Dá Licença de Contar, dirigido por Pedro Serrano. Quando o curta ficou pronto, a equipe resolveu continuar o projeto e chegaram à história do sofá, um que foi da Rádio Eldorado na época que esta ficava na Rua Major Quedinho e Adoniran marcava todas as reuniões lá. A equipe saiu em busca do tal “sofá do Adoniran” e quando chegaram à rádio souberam de algumas músicas inéditas dele: letras e partituras que um amigo guardou na gaveta. O resultado é um disco de Adoniran sendo cantado por Liniker, Ney Matogrosso, Criolo, Gero Camilo, e tantos outros. Belo tiro ao Álvaro, saindo logo mais. 

FORA DA ORDEM

Caetano Veloso

“Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial...” 

Não tem muito o que escrever, a não ser lamentar. É “o mundo do jeito que está, as coisas do jeito que estão”. Qual o papel da arte num momento como o nosso? Qual o nosso papel?

 

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