Priscila Callegari/Divulgação
Priscila Callegari/Divulgação

Soluções para o meio ambiente

A Bienal Brasileira de Design, na capital paranaense, exibe cerca de 250 obras sob o tema da sustentabilidade

Evandro Fadel / CURITIBA, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

O tema da sustentabilidade, que vem tomando conta do planeta nos últimos anos, é um dos principais enfoques da Bienal Brasileira de Design 2010, inaugurada ontem em Curitiba. "Essa é a grande questão dos nossos dias e queremos que a Bienal seja caixa de ressonância para apontar algum caminho", disse a curadora-geral Adélia Borges. Além da mostra, seminários, fóruns e ações educativas serão desenvolvidos até 31 de outubro. E não faltarão produtos para serem vistos pelas 250 mil pessoas esperadas. A inovação começa pela realização de nove exposições espalhadas por locais diferentes da cidade. "A ideia é que nós cheguemos às pessoas e não elas a nós", justifica Adélia. "Procuramos espaços em que as pessoas circulam normalmente." Cartazes que tentam responder à pergunta "Sustentabilidade: e eu com isso?" são vistos no Parque Barigui e no Jardim Botânico. O Museu Oscar Niemeyer abriga produtos ligados às artes; a Universidade Positivo abre as portas para discussões; e o arquiteto Jaime Lerner apresenta a trajetória como urbanista, em exposição no Memorial de Curitiba.

Mas a principal mostra, que leva o nome do tema da bienal, Design, Inovação e Sustentabilidade, fica no pavilhão de exposições do Centro Integrado dos Empresários e dos Trabalhadores do Estado do Paraná (Cietep). São 250 produtos, escolhidos entre cerca de 800 que se inscreveram. "Não se trata apenas de material reciclável, mas há um olhar transversal que une o objeto a algumas ideias", destacou a curadora. "O material usado, o processo pelo qual é feito e a atitude que gera foram analisados no processo de seleção."

O visitante passeará por 12 núcleos temáticos que, às vezes, se interligam. São produtos nem sempre inéditos, mas que tentam despertar nos criadores e no visitante o respeito pelo meio ambiente. Menos é o título do primeiro. Ali estão objetos que utilizam normalmente apenas uma matéria-prima, com processo industrial simples e geram menos sobras. Há outros que podem ser dobrados e compactados quando não estão em uso, ocupando espaço reduzido.

Dize-me de Onde Vens é a proposta do segundo núcleo, onde estão objetos que carregam selos com certificados de origem. "É um atestado de bons antecedentes", salienta Adélia. Na continuidade, o visitante é convidado a entrar no espaço Para uma Vida Melhor, projetado para produtos que contribuam na melhoria do convívio social, da saúde e segurança. Chamam a atenção um berço feito de polionda e cadeiras escolares de papelão, produtos leves e dobráveis. "Podem ser levados para qualquer lugar ou serem usados em situações de emergências, como enchentes", exemplifica a curadora.

"Originalidade" é o quarto núcleo. Podem ser vistos, por exemplo, cestos feitos de bagaço de cana ou de amido de batata, além de sofás com espumas de fibra de soja. Objetos que permitem maior mobilidade nas cidades, como a bicitáxi, adaptação de duas bicicletas em que o passageiro também pedala e já é usada na Ilha de Marajó, estão no núcleo Direito de Ir e Vir. Sacos plásticos transformados em poltronas, resíduos de porcelanas ou embalagens, como enfeites, ganharam o espaço A Que Será Que se Destina.

Biodiversidade. No Prata de Casa estão produtos que valorizam a biodiversidade brasileira por serem fabricados com algodão orgânico, fibras vegetais, capins coloridos e muito bambu. "São produtos de vários Estados que levam a uma viagem pelo País", disse Adélia Borges. Vitrine apresenta objetos que apelam diretamente ao espírito preservacionista com frases, formatos ou desenhos. Ao lado, Novas/Velhas Atitudes tenta mostrar que "o povo brasileiro é ecológico antes de a palavra ir para o dicionário". Pisos que não impermeabilizam o solo estão expostos nesse núcleo.

Gota a Gota expõe produtos que permitem economia no uso de água, enquanto Liga-Desliga faz o mesmo em relação à energia elétrica. Por fim, Pertencimento procura valorizar as raízes do povo brasileiro. Releituras de sandálias de sertanejos, colchas de retalhos renascendo como enfeites, azulejos lembrando ícones da cinquentenária Brasília fazem parte da mostra. "É uma reflexão sobre a que pertenço, qual o meu lugar no mundo", propõe a curadora.

Além dessa mostra, o Cietep também sediará uma exposição sentimental para alguns e histórica para outros, com produtos da antiga Móveis Cimo, fechada na década de 1970 após 50 anos de existência. No mesmo lugar, bienais anteriores terão a história contada e estudantes poderão mostrar as ideias para o futuro. Mantendo tradição de apresentar novidades internacionais, a Dinamarca estará presente com a mostra "It"s a Small World, que estreou em Copenhague no fim de 2009 e já passou por Xangai, na China.

Serviço

Bienal Brasileira de Design 2010 - Curitiba

De 14 de setembro a 31 de outubro. De terça a domingo das 13 horas às 20h30, exceto às quartas-feiras das 9 horas às 20h30

Cietep - Rua Comendador Franco, 1341, Jardim Botânico.

Entrada gratuita

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