Ford Brasil
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Solidariedade na pandemia: além de empresas, campanhas e lives reforçam arrecadação

Em grupos ou isoladamente, companhias e sociedade civil investem em doações para ajudar os mais vulneráveis

Marina Vaz, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 05h00

Diante da tragédia que é perder cerca de mil vidas brasileiras todo dia, acompanhar ações de solidariedade pode ser um alento. Nesse aspecto, a semana começou com, ao menos, uma boa notícia. Na última segunda-feira, 10, um grupo de empresas se reuniu e arrecadou, em um único dia, R$ 108 milhões, que serão usados para estratégias e ações de contenção da pandemia. Foi o 16º encontro do Grupo Empresarial Solidário, composto por 450 integrantes que se mobilizam quinzenalmente para levantar doações em dinheiro, serviços e materiais.

A iniciativa, coordenada pelo governo estadual de São Paulo, já recebeu contribuições de 251 empresas e entidades, totalizando mais de R$ 1,03 bilhão. Todo o processo, desde o recebimento até a entrega e aplicação dos recursos, está sendo auditado pela PricewaterhouseCoopers Brasil. Além das companhias privadas, a comissão também recebe doações da sociedade civil, que, quando em dinheiro, são concentradas no Fundo Social de São Paulo (saiba como ajudar aqui).

Uma opção para acompanhar ações solidárias é o Monitor das Doações, uma plataforma online que, desde o dia 31 de março, consolida os valores arrecadados não apenas por empresas, mas também por lives e campanhas. Quando entrou no ar, ele indicava a cifra de R$ 450 milhões. No fim de maio, a quantia subiu para R$ 5,5 bilhões. “Teve um aporte muito grande nos dois primeiros meses e a maior parte das doações foi de empresas. Desde então, em junho e julho, foi doado meio bilhão de reais, neste caso, com uma participação expressiva das campanhas, das lives, com doações menores; enfim, uma participação mais democrática”, observa Márcia Woods, presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos, em entrevista ao Estadão.

A porta-voz da entidade, responsável por manter o Monitor das Doações, diz que a diminuição da arrecadação era até esperada. Isso porque, segundo ela, “muitos dos recursos de empresas levam tempo para serem empenhados e estão se transformando em benefício social agora”.

Atualmente, a plataforma contabiliza mais de R$ 6,039 bilhões vindos de 478 mil doadores. A expectativa é que as doações de indivíduos continuem e que as corporativas cresçam novamente. “As demandas sociais continuarão, então, esperamos que haja uma reavaliação das estratégias de doação corporativa, para que as empresas consigam acompanhar as demandas e esse volume volte a subir”, analisa Márcia.

Essa mudança foi o que ocorreu na Sodiê Doces. A rede, com mais de 300 lojas, desde março, distribui alimentos para entidades de assistência social pelo País. Agora, as doações foram incorporadas, definitivamente, à sua verba de marketing. Assim, todo mês, serão doadas 20 toneladas de comida para populações de quatro diferentes cidades – em agosto, Goiânia e Fortaleza estão entre as escolhidas.

Outro tipo de iniciativa que segue forte desde o início da pandemia é a adaptação de fábricas para produzir itens de proteção a profissionais de saúde. A montadora de automóveis Ford, por exemplo, já fabricou e doou 112 mil máscaras faciais – 35 mil delas, que saíram da planta de Camaçari (BA), foram entregues, recentemente, à Secretaria de Saúde paulista e também à prefeitura de Taubaté.

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