Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Sol é o que vale na semana carioca

Moda praia esquenta edição morna

Lilian Pacce e Sylvain Justum, Especial para O Estado

17 de junho de 2009 | 07h40

De casa nova e line-up mais enxuto, o Fashion Rio encerra a edição de verão 2009/2010 com saldo positivo, atribuído mais pelo estofo adquirido com a mudança de local e do staff principal do que pela moda apresentada. Ainda que não tenha havido nenhum grande desastre fashion, o resultado geral é morno. Poucas grifes tiveram realmente destaque, deixando a missão de surpreender e encantar para a onírica vista do Píer Mauá, no Cais do Porto, novo QG do evento.

 

As marcas de moda praia mantêm a missão de fazer brilhar o verão das passarelas cariocas. Com estéticas quase antagônicas, as porta-bandeiras são Salinas e Lenny. A Salinas faz um desfile simpático explorando o humor, a paixão e a latinidade esperta do universo do cineasta Pedro Almodóvar, como o look de biquíni e cardigã inspirado na personagem de Penélope Cruz em Volver. Já Lenny Niemeyer, da Lenny, reina com sua capacidade de autossuperação. Inspirada em aves de rapina, realiza desfile poderoso e minimalista com maiôs em versão navalhada, quase bondage. Suas mulheres-águia marcham com atitude semelhante à das roqueiras fetichistas da amadurecida Luiza Bonadiman, que adoram preto e branco. Abusando de geometrias, a pequena estilista traz ideias sofisticadas que transitam entre o luxo dos decks e a pista de dança, com destaque para as peças corseletadas e coloridas do final. Nome pra ficar de olho.

 

Outra expertise da mulher carioca é a barriga de fora. Antes marginalizada, ela aparece em versão nobre e atual na proposta da Printing, criada em 1994 por Marcia Queiroz. Em seu segundo desfile no Fashion Rio, a grife mineira investe mais na alfaiataria, com destaque para o bloco de cores vivas que combina bustiês com pantalonas e bermudas, sem perder o foco nas roupas de festa que fazem parte de seu DNA, com forros e bordados primorosos. Outra mineira, Juliana Jabour evolui e vai além dos balonês de viscolycra que fizeram seu estilo. Ela mescla alfaiataria a vestidos fofos, se arrisca num look mais punk-fetiche todo de tachas e aposta no novo terninho do verão: shorts, colete e paletozinho - vale até ter todas as peças no mesmo tecido e padronagem.

 

Celebrar é com a Redley, que completa 25 anos em 2010 e fechou a semana com desfile ao ar livre, no piso do Cais do Porto, de frente para a ponte Rio-Niterói, com o ator 3 3 Rodrigo Santoro no casting. Esperto, o estilista Jurgen Oeltjenbruns vasculha os arquivos da grife recuperando e atualizando clássicos de sua história, como os tênis e as mochilas. Boa releitura, embora sem o impacto da coleção deste inverno. Perde élan também a Ausländer, marca iniciante que está encontrando sua real identidade. Indecisa, se divide entre o frenesi das ruas e o tilintar das taças do jet-set. Na coleção que se inspira em uma elegante pool party, ponto para os meninos que, de paletó sequinho e cardigã fluo, equilibram melhor os dois mundos.

 

A Maria Bonita Extra vai encontrando um novo caminho com a assinatura de Ana Magalhães, menos inocente e mais atrevido, sempre com ternura. Boa mistura de brilhos, laços e transparências para um verão que sai do mágico mundo de Oz. Ana explora bem uma das tendências fortes pra nova estação: organzas ou tules vêm sobrepostos a cores ou bordados fortes, como se embrulhassem e protegessem a preciosidade que está por baixo.

 

Mas quem precisa mesmo encontrar um rumo é a TNG. Ancorada perigosamente no cais dos anos 80, passa ao largo das sutis mudanças da moda atual. Não fossem os looks tipo safári e os jeans clarinhos, nem o casal global Juliana Paes e Rodrigo Lombardi colocaria o desfile no mapa do verão que vem aí.

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