Socorro, tragam agora uma substituta

Professora Sem Classe investe no politicamente incorreto

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2011 | 00h00

Duas ou três cenas ajudam a tornar atraente a comédia Professora Sem Classe. De cara, ela se despede dos colegas professores porque, justamente no início das férias de verão, está para se casar com um milionário. Elizabeth, justamente a professora, comete todo tipo de imprudência ao volante e ainda fuma como macho, sugando o cigarro sem o uso das mãos (mas elas também não estão ao volante). A cena inicial já deixa claro que a dupla de roteiristas Lee Eisenberg e Gene Stupnitsky, de The Office, e o diretor Jake Kasdan estão colocando Professora Sem Classe sob o signo do politicamente incorreto.

E põe incorreção nisso. Depois das bandalheiras de Jennifer Aniston em Quero Matar Meu Chefe, chegou a vez de Cameron Diaz praticar sexo oral. Passada a cena do carro, a professorinha chega em casa e já vai anunciando, com riqueza de detalhes, o que pretende fazer com o "maridinho". A promessa de casamento termina ali e Cameron volta à escola disposta a incrementar os planos para arranjar marido rico. Jogadores de futebol estão descartados porque os de lá, ao contrário dos daqui, não dispensam camisinha - que ainda levam, para evitar o uso posterior do precioso esperma.

Cameron, perdão, Elizabeth convence-se de que, para arranjar marido rico, precisa aumentar os seios. Sua meta é conseguir dinheiro para a cirurgia plástica, principalmente quando entra em cena o professor substituto que pertence a uma família de milionários. O papel é interpretado por Justin Timberlake, ex de Cameron. Eles devem se dar muito bem, para Timberlake ter concordado em ser coadjuvante da ex-mulher, e num personagem com o qual posa de imbecil o tempo todo. Sua cena de sexo vestido, com direito a ejaculação, é patética.

A estrela está batendo nos 40 disposta a mostrar que não perdeu seu atrativo como chamariz de bilheteria. Para isso, vale tudo. Hollywood erigiu em gênero uma série de filmes sobre professores altruístas que põem turmas de baderneiros nos eixos. Elizabeth mostra alguns desses filmes a seus alunos, mas ela, pessoalmente, se entendia e chega a dormir na sua mesa (quando não está fazendo coisa pior). O conceito do filme é o de que a baderneira é a professora, mas não são exatamente os alunos que a vão enquadrar. A tese é que mulher assim - uma megera - precisa ser domadas e vai surgir um certo professor de educação física que... Vejam para conferir o esperado.

Professora Sem Classe mostra cenas e diálogos que seriam inimagináveis em Hollywood, não faz muito tempo. Vale tudo em nome do faturamento, mas também pode ser a reação a uma ética do bom comportamento que a administração George W. Bush aviltou ao enganar o eleitorado com falsas provas para justificar suas medidas extremas. As baixarias não impedem que, de acordo com a velha Hollywood, o diretor, os roteiristas e a estrela sejam umas manteigas derretidas, como prova a cena em que Cameron ajuda o garoto humilhado pela coleguinha que ama. Para os marmanjos, o refresco é outro. Na cena do lava-carros, Cameron mostra que entra nos "enta" com o corpinho de pin-up que tinha em O Máskara, há 17 anos.

PROFESSORA SEM CLASSE

Título original: Bad Teacher. Dir: Jake Kada. Gênero: Comédia (EUA/ 2011, 94 minutos). Censura: 14 anos.

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