Sob o signo das iluminações

Esse é o tema desta edição da mostra mais tradicional e centenária do mundo, que tem nova curadora

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

Artistas europeus e norte-americanos - ou mesmo europeus que vivem na América - predominam na mostra principal da 54.ª Bienal de Veneza, que começa amanhã. Há quem diga que a curadora Bice Curiger, à frente desta edição do evento, tenha sempre um pé em "modismos" quando cria seus projetos. Em sua seleção, de 82 artistas, uma onda de nomes permanentes no circuito internacional se destaca - entre eles, estão Maurizio Cattelan, Philippe Parreno, Pipilotti Rist e Cindy Sherman. Mais ainda, esta Bienal, intitulada Iluminações, joga luz à história, trazendo para a mostra contemporânea a presença do pintor veneziano Jacopo Tintoretto (1518-1594).

Bice Curiger afirmou na apresentação do conceito da 54.ª Biennale que existe uma vontade por "celebrar o poder da intuição", de afinar "os instrumentos das percepções". Em seu projeto, a curadora faz, ainda, menção quanto a um caráter "construtivo" da última edição, Fari Mondi (Fazer Mundos), de 2009. E curioso ainda lembrar que a Bienal de Veneza de 2007 tinha como conceito unir razão e sensibilidade. São constâncias.

Agora, o título Iluminações da 54.ª exposição é grafado como ILLUMInazioni (em italiano), o que remete a um jogo de palavras: trata-se de "luz", mas, também, de "nações" de certo modo. "Incomoda-me um pouco a ênfase na ideia de "nação" (a arte, aparentemente, entendida como mais uma nação) como estratégia para estabelecer essa discussão, dado que é essa ideia mesma que alimenta muitos dos conflitos vividos hoje no mundo", analisa o curador brasileiro Moacir dos Anjos, mas preferindo ainda esperar o resultado da mostra para cravar uma opinião.

Segundo a curadora, ela convidou os artistas Monika Sosnowska, Franz West (o austríaco divide o Leão de Ouro da edição, grande prêmio do evento, com a norte-americana Sturtevant), Song Dong e Oscar Tuazon para que criassem obras especiais para a mostra. Ao mesmo tempo, Bice Curiger também cita que quis promover o embate entre jovens criadores e veteranos como Llyn Foulkes, Luigi Ghirri, Jack Goldstein e Jeanne Natalie Wintsch em certos momentos da exposição da 54.ª Bienal, abrigada no Arsenal e no grande pavilhão dos Giardini da cidade italiana.

Já o segmento das representações nacionais, espalhado, principalmente, nos Giardini, cada país tem liberdade para levar a Veneza o artista que quiser, independente do tema da Bienal. Artur Barrio representa o Brasil, mas outro brasileiro, o cineasta Neville d"Almeida, está no conjunto das participações nacionais, em mostra no pavilhão do Instituto Ítalo-Latino-Americano (no Arsenale). De outros países, destaque ainda para as mostras de Christian Boltanski (França), Mike Nelson (Grã-Bretanha) e a dupla Jennifer Allora e Guillermo Calzadilla (EUA).

QUEM É

BICE CURIGER

CURADORA DA 54ª BIENAL DE ARTE DE VENEZA

Nascida em 1948 em Zurique, Suíça, ela é formada em história da arte e atua como crítica e curadora. Também tem vasta experiência editorial. Em 1984, cofundou a revista de arte Parkett, da qual é uma das editoras.

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