Sob nova direção

Itaú Cultural assume Auditório Ibirapuera a partir de amanhã e anuncia planos

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h08

Começa amanhã a nova gestão do Auditório Ibirapuera. O Itaú Cultural, que assinou em agosto o contrato para administrar o espaço público, notícia adiantada pelo Estado, anuncia agora as primeiras medidas da nova fase da instituição. Entre elas, a imediata redução do valor do ingresso, que passa de R$ 30 para R$ 20, e a resolução de transmitir os eventos pela internet. "Queremos ampliar o acesso, impactar mais pessoas", diz Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural que também responderá pelo comando do Auditório.

Desde sua inauguração, em 2005, o espaço era administrado por uma mesma entidade, uma organização de interesse público. Segundo o novo acordo, firmado com a Secretaria Municipal de Cultura, o Itaú Cultural deve seguir à frente do auditório até 2016 e se comprometeu a investir R$ 10 milhões por ano.

Em um primeiro momento, a nova administração promete agir mais na esfera gerencial do que na área de programação. "Havia muitos shows que já estavam agendados. Artistas que já tinham se comprometido. Não queríamos interromper esse fluxo", comenta Saron. Isso não impedirá, contudo, que o Itaú comece a dar o seu "toque" à grade.

Para 12 de outubro, está programado um show gratuito do grupo infantil Palavra Cantada. Uma tentativa, segundo o novo diretor, de estreitar o contato do Auditório com o público frequentador do parque: cerca de 200 mil pessoas a cada fim de semana.

Mas, mesmo em busca de popularização, a entidade não deve alterar drasticamente o perfil de seus eventos, garante Saron. Para tanto, toda a equipe que antes trabalhava no Auditório Ibirapuera foi incorporada ao novo quadro de funcionários. Além disso, as atividades da Escola de Música do Auditório também serão mantidas. "A gente queria a experiência que eles adquiriram e também os valores que trazem consigo."

Ao lançar o edital para selecionar interessados em gerir o prédio projetado por Oscar Niemeyer, a Secretaria de Cultura já sinalizava o desejo de manter a tônica da programação, mas ampliar seu escopo.

É nesse contexto que as atrações devem continuar a ser preponderantemente musicais. Com shows de Gilberto Gil, Yamandú Costa e José Miguel Wisnik marcados para este ano. Uma guinada em direção às artes cênicas, porém, começa a se insinuar.

Para 2012, ano do centenário de Nelson Rodrigues, o Auditório pretende entrar firme no novo território e já começa a planejar uma série de atividades. "Estamos, na verdade, colocando em prática uma ideia que já contamina as artes, que é essa diluição de fronteiras. As linguagens se misturaram."

Com maciça presença na internet, o Itaú Cultural pretende que o Auditório tenha uma prática semelhante. Ainda neste ano começam as ações para transmitir via web tudo o que acontece no edifício. "Vamos transformar esses artistas em produtos para a internet. E também para serem reproduzidos por TVs públicas e educativas."

A ampliação do acesso passa pela redução do valor do ingresso e pelas plataformas digitais. Mas não só. Uma parcela de convites - cerca de 10% da lotação da casa - será distribuída gratuitamente. E a dificuldade de acesso ao parque também entra na lista de preocupações. "Queremos investir em uma política de segurança e mobilidade também." A partir do próximo ano, um serviço de van deverá fazer a ligação entre a Estação Brigadeiro do Metrô e o local.

Outra novidade sinalizada pelo novo gestor é o desejo de construir uma agenda comum com as outras instituições do parque: oito equipamentos culturais que ocupam uma mesma área e pouco articulam suas atividades. "Podemos tentar agir de forma mais unificada. Já começamos a conversar com a Bienal e o MAM e pretendemos ampliar o diálogo", acredita Saron.

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