Só deu Michelle, a ''first lady in red''

Pode um vestido de gala atenuar tensões entre duas potências? Depende do vestido e de quem o usa, mas Michelle Obama conseguiu o que os estrategistas buscam: o olhar de admiração de uma China milenar, porém autocrática, sobre uma América impositiva, porém em dificuldades. Ao aparecer nos salões da Casa Branca, na quarta-feira, farfalhando um modelo em organza vermelha, a primeira-dama norte-americana iluminou o jantar de Estado oferecido por seu marido ao presidente chinês, Hu Jintao. O formalismo entre os mandatários, fruto de pendências no campo econômico, militar e principalmente de direitos humanos, cedeu ao vulto feminino que se impôs na noite.

Laura Greenhalgh, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Arma diplomática de pura sedução, o longo é assinado pela estilista inglesa Sarah Burton, que tomou a frente da grife de Alexander McQueen, morto em 2010. Além da seda magnífica, Sarah tirou partido da cor - um vermelho que pende para o laranja - realçando o tom da pele de sua cliente. Sobre a seda, falsas pétalas negras. E sobre Michelle, a fluidez do pano, garantindo glamour, com liberdade aos movimentos. O vermelho, cor da prosperidade na China, foi lance decisivo da diplomacia de alfinetes.

Na lista dos 225 convidados, repleta de pesos pesados do mundo corporativo, poderosas ficaram à sombra. Hillary Clinton envergou um longo claro e convencional. Nancy, mulher do ex-secretário de Estado Henry Kissinger, pesou no duas-peças preto, comprido e amplo. A estilista Vera Wang, corretíssima no curtinho areia, fez-se nuvem passageira diante da anfitriã mercurial. E Barbra Streisand, de blazer, ao ser indagada por que estava ali, reagiu: "Me convidaram porque trabalhei num restaurante chinês." Funny girl... A imprensa logo repercutiu o vestido. Superlativos em cascata (superbe! gorgeous! terrific!), Jintao e Obama tratados como "escudeiros da deusa" e um bordão correndo na internet: Michelle for president.

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