Smiths não terá retorno, diz Andy Rourke

Em outubro, o guitarrista Johnny Marr declarou que o papo de uma turnê de retorno dos Smiths estava se tornando "meio chato". Ele se via obrigado a responder pela milionésima vez a respeito do tema (desde que se noticiara que ele e o cantor Morrissey tinham começado a se comunicar por e-mail e tratavam do tema).

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

No Brasil, ontem pela manhã, falando ao Estado, o baixista Andy Rourke, também ex-Smiths, disse que a reunião teria dado certo se tivesse sido realizada há 10 anos. "Passou tempo demais. Então acho que "nunca mais" é uma expressão correta", afirmou Rourke, por telefone de seu quarto em hotel de Paraty (RJ). Ele toca como DJ esta noite em São Paulo, no Lions Nightclub (ele já esteve aqui três anos atrás, tocando no Clash Club).

Smiths é uma religião: inspirou poesia, música, comportamento, rebelião. Desde o fim do grupo, em 1987, especula-se sobre um improvável retorno. Há três anos, o cantor do grupo, Stephen Patrick Morrissey, revelou que tinha recebido, e recusado, uma oferta de US$ 5 milhões do festival de rock americano Coachella para reviver sua finada banda.

"Tenho andado muito ocupado com meus trabalhos-solo e com meu trabalho social em Manchester", disse o baixista Andy Rourke, que formou com Mike Joyce a lendária rhythm section do grupo inglês. Ele vive atualmente no Brooklyn, em Nova York, mas continua agitando no cenário musical britânico. Ele organiza anualmente em Manchester o evento beneficente Versus Cancer, um show em que recolhe fundos para uma associação que combate a doença.

Ele também comentou a morte de um ideólogo do punk rock, Malcolm McLaren, na semana passada. "Ele era um visionário. Estava sempre à frente do seu tempo", afirmou. Segundo Rourke, o apelo autopromocional na música é um dado recorrente, e ele crê que Lady Gaga hoje é ponta de lança desse estilo. "Não é meu tipo de música, mas ela é hábil", afirmou.

"Nos Estados Unidos, todas as rádios tocam as mesmas coisas, muito R&B. Não tenho visto nem ouvido nada muito diferente", afirmou Rourke. "No meu set, vou fazer um mix de coisas diferentes, pretendo tocar alguma música dos Rolling Stones, dos Smiths, coisas assim", contou. "A plateia no Brasil é muito entusiástica, bem informada e reconhece cada faixa que eu toco, é um dos melhores locais para um DJ tocar."

Os Smiths fizeram seu nome na história do pop rock em cinco anos. Depois que terminou, começou a ser escrita a sua lenda. Começaram também os problemas: nos anos 1990, Morrissey teve de apelar à Justiça contra decisão que o fazia pagar 1,25 milhão de libras de royalties em favor do antigo baterista do grupo, Mike Joyce.

Andy Rourke faz parte de uma nobre linhagem de "baixistas que se tornaram DJs": outros colegas são Fatboy Slim (ex-baixista do Housemartins) e Peter Hook (ex-baixista do New Order). Conhecem as batidas.

Andy Rourke

Lions Night Club. Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, 1º andar, tel. 3104-7157. Hoje, a partir das 23 horas. R$ 25/R$ 80

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