Site de Mario Prata vira sucesso na Internet

Mario Prata decidiu escrever um livro ao vivo na Internet: Os Anjos de Badaró. Espantosa repercussão. Tudo começou no dia 24. Nos dois primeiros dias, sua página (marioprata.terra.com.br) teve 15 mil e 16 mil acessos, respectivamente. É mais ou menos o mesmo número de acessos que já atingiram matérias sobre a atriz Vera Fischer ou sobre a modelo brasileira Gisele Bündchen no Estadao.com.br."É fascinante. Eu achava que ninguém ia se interessar. Colocaram um computador aqui ao lado do meu e eu ia vendo os acessos no momento em que ia escrevendo os capítulos, como o Ibope, tiveram até que tirar a máquina. Uma hora eu vi que 88 japoneses estavam acompanhando o capítulo. Tem gente do mundo inteiro acessando, de Paris, dos Estados Unidos já chegou a 400, tem gente até da Noruega, brasileiros, evidentemente", dispara Prata, falando ontem, empolgado logo depois de terminar o sétimo capítulo.O escritor agora já faz brincadeiras com seus leitores virtuais, dizendo que vai descansar uns dez minutinhos, que tocou a campainha e até conta quem era, escrevendo assim: "Quem acabou de chegar aqui, agora, interrompendo o nossotrabalho, foi o fernando morais (sic), o escritor. vou abrir a porta para ele. daqui a pouco eu volto. Vou dar um cd-rom pra ele. o cara não vai embora, mesmo!mas eu vou continuar. ele vai ficar aqui dando palpites, confundindo lurdes com olga e capella com chatô."Deveria ser possível vê-los através da webcam instalada no seu computador, mas ontem e hoje só transmitia uma foto do autor. O capítulo que o internauta acompanha Prata escrevendo ao vivo demora um ou mais dias para ser arquivado no site. E, claro, chega sem conversas paralelas como a reproduzida acima. Os Anjos de Badaró é um policial que marca a estréia do autor no gênero. Prata vai passar seis meses escrevendo-o na Internet e depois será publicado pela editora Objetiva, conforme contrato firmado anteriormente. A idéia de escrevê-lo na Internet gerou uma parceria entre o portal Terra a produtora de vídeo TV1.com e o escritor. Todos os dias ele marca no site o horário em que irá trabalhar no dia seguinte. Como é possível escrever tão rápido, quase um capítulo por hora? "Muita gente fala isso, e pensa que eu estou copiando, mas eu vou ler aqui para você as anotações que eu fiz para escrever esse capítulo: conversa de Capella e esposa; conversa de Capella com amigo delegado..." A explicação está no fato do livro ser do gênero policial e, portanto, ter um esquema muito armado. "Só poderia ser um policial", diz Prata. O projeto é resultado de uma pesquisa que o escritor já vem fazendo há dois anos. "Já li todos os policiais e percebi que são muito parecidos. Li Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Edgard Allan P, P.D. James, descobri um brasileiro ótimo, o Luiz Alfredo Garcia Rosa." E-mails com comentários e sugestões sobre a trama ele já recebeu "uns 500, recebo mail o dia inteiro. Acabo de receber um de um jornalista do Libération querendo vir aqui no sábado para ver como eu estou fazendo isso", diz Prata, frisando "Eu já gosto de trabalhar me divertindo, agora, está uma orgia".

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